Psychic Ills – Never Learn Not To Love vs Cease To Exist

Os mais atentos ao universo sonoro indie e alternativo terão certamente ficado transtornados com o súbito desaparecimento na passada semana, aos quarenta e um anos, de Tres Warren, líder dos norte-americanos Psychic Ills, uma das mais curiosas apostas do catálogo da Sacred Bones Records. Oriundos da big apple, divagavam, desde dois mil e três, por um universo de explorações sonoras que criam pontos de interseção seguros e estreitos entre eletrónicarock ambiental e rock progressivo, sempre com uma toada eminentemente lo fi e psicadélica, que até nem dispensou alguns artifícios caseiros de gravação, como se percebeu em Inner Journey Out, o quinto disco do grupo, editado em dois mil e dezasseis e que ficou em décimo primeiro lugar dos vinte melhores trabalhos discográficos desse ano para a nossa redação.


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Warren foi sempre um artista muito profícuo. No momento da sua morte já trabalhava em novas canções e preparava-se para entrar em estúdio com Helizabeth Hart, a sua companheira de sempre nos Psychic Ills, para gravar o sucessor de Inner Journey Out, o sexto e novo registo da dupla, que deveria ver a luz do dia no ocaso do presente ano de dois mil e vinte.


Infeizmente Warren não teve tempo de gravar esse disco, mas tinha já trabalhado com Hart num par de covers, os temas Never Learn Not To Love e Cease To Exist, que são, curiosamente, duas roupagens diferentes de um mesmo original. A canção Never Learn Not To Love foi gravada no final de mil novecentos e sessenta e oito pelos Beach Boys e creditada por Dennis Wilson, sendo ela própria já uma versão de Cease To Exist, original da autoria de Charles Manson, que faria parte do alinhmento do seu registo de estreia, Lie: The Love and Terror Cult, editado em março de mil novecentos e setenta.


As duas canções acabam então de ganhar uma nova vida através desta dupla Psychic Ills e tal sucede de um prisma bem diferente. Enquanto a primeira foi adornada através de um exercício de rock psicadélico com um ritmo efusiante, marcado pelo baixo rugoso e pelo compasso de uma bateria intransigente nos tempos e que se vai deixando enlear por uma distorção de guitarra a espumar aquele blues tipicamente americano até ao tutano, já Cease To Exist mereceu um toque de lustro que exala uma mansidão folk rock psicadélica incomum e capaz de nos envolver num torpor intenso. Confere...


Psychic Ills - Never Learn Not To Love - Cease To Exist


01. Never Learn Not To Love
02. Cease To Exist


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