Os Grand Sun de Ribeiro, António, Simon e Miguel, um coletivo oriundo de Oeiras, nos arredores da capital, acabam de se estrear no formato álbum com Sal Y Amore, uma coleção de dez canções que, à boleia da Aunt Sally Records, encarna, de forma mais crua, sem filtros e genuína que o antecessor, o EP The Plastic People Of The Universe, um exuberante registo indie com fortes raízes no rock setentista mais lisérgico, mas também naquela pop efervescente que fez escola na década anterior e onde a psicadelia era preponderante no modo como trespassava com cor e luminosidade o edifício melódico de muitas composições.

Sal Y Amore foi bastante inspirado nos concertos e nas viagens que os Grand Sun fizeram o ano passado, onde constam passagens memoráveis pelo Festival Ecos de Lima, a Festa do Avante ou o Festival Termómetro. O registo foi gravado e misturado por André Isidro nos estúdios Duck Tape Melodies e masterizado pelo João Alves no Sweet Mastering Studio.
Sal Y Amore é um disco de viagens, mas também de festa, um compêndio vasto, eclético e heterogéneo de nuances e sensações, umas mais terrenas, e outras eminentemente cósmicas, que podem muito bem vir a ter como consequência maior a catalogação dos Grand Sun como uma nova banda de massas da pop e da cultura musical nacional, já que essa aposta numa estética feita de exuberância sonora e de uma indisfarçável mescla tem muitas vezes esse resultado radioso e que, ao fim e ao cabo, é, garantidamente, o desejo maior de quem quer ser protagonista da forma de manifestação artística que seleciona.
O clima frenético, seco e cru de Circles, assente num indie rock visceralmente ruidoso e sujo, mas que não deixa de ser melodicamente apelativo, até porque é um convite direto à ação e ao movimento, a psicadélica majestosidade do contemplativo edifício instrumental em que se sustenta She Wants You, a alegoria pop particularmente luminosa de Veera, composição conduzida por uma guitarra inspirada, sintetizadores cósmicos e um constante efeito vocal ecoante, o glam rock oitocentista de Dear Ruby, espelhado num sintetizador retro felizmente algo descontrolado e num poderoso e libidinoso riff de guitarra, a sentida homenagem aos Queen a que exala A Picture e o impetuoso travo sessentista da lisergia punk que conduz Feeling Tired, uma canção em que teclado e baixo dividem protgonismo, enquanto a guitarra arbitra, sem preferência e com ímpar isenção, esse duelo imprevisível pela posse da posição maior no pódio do protagonismo melódico do tema, são os momentos maiores de Sal Y Amore, uma sátira representação do ruído a que estamos expostos diariamente e um sal saudável para a hipertensão, que os Grand Sun resolveram colocar nos nossos pratos nesta incaraterística primavera dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...
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