Já viu a luz do dia e à boleia da Domino Records, The Main Thing, o quarto e novo registo de originais dos Real Estate, sucessor do excelente In Mind, editado em dois mil e dezassete e que estava repleto de canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios, repletas de arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico, nuances que ajudaram o projeto a assumir-se definitivamente como um dos mais interessantes e inovadores do cenário indie atual. Este The Main Thing é o primeiro disco do coletivo natural de Rodgewood, em Nova Jersey, sem a presença de Matt Mondanile, a contas com a justiça devido a várias acusações de abuso sexual. Mondanile foi substituido pelo multi-instrumentista Julian Lynch, que se junta a Martin Courtney, Alex Bleeker, Matt Kallman e Jackson Pollis, uma mudança na formação que não alterou decisivamente o som que típifica o adn dos Real Estate, mas que o aprimorou.

Produzido pelo multi-instrumentista Kevin McMahon (Titus Andronicus, Swans, The Walkmen), The Main Thing é, claramente, o momento maior da catálogo discográfico de uma banda que teve sempre em ponto de mira bandas como os conterrâneos Birds, Wilco, R.E.M., ou Yo La Tengo, entre outras. para a criação de canções acessíveis e com um elevada luminosidade, canções que no fundo, fizessem o ouvinte sorrir sem razão aparente, digamos assim, apenas e só porque o conteúdo sonoro que absorve lhe prova tal reação física. E o novo disco da carreira dos Real Estate tem, de facto, belíssimas canções, assentes num rock que não tem medo de se espandir com o requinte e a majestosidade que a temática do registo, muito focada nas questões do amor e outras miudezas quotidianas, exige, fazendo-o com intenso charme e bom gosto.
Canções como Friday, intrigante e típica canção de início de alinhamento, com uma alma e um encanto profundos, a sedutora November, composição que na sobreposição de diferentes timbres e arranjos de cordas capta na perfeição a essência atual dos Real Estate, as mais psicadélicas e orgânicas You e Gone, a inebriante Shallow Sun e o single Paper Cup, um tema em que piano, cordas e uma vasta míriade de arranjos de elevada luminosidade e com um indisfarçável travo tropical, conjuram entre si intimamente, num resultado final bastante charmoso e sensorial, são momentos belíssimos de um alinhamento que, tendo a fabulosa voz de Courtney como a cereja no topo do bolo, é bem pensado e melhor executado, recompensado largamente quem se predispuser a descobrir os múltiplos encantos de uma das melhores bandas do rock alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

01. Friday
02. Paper Cup (Feat. Sylvan Esso)
03. Gone
04. You
05. November
06. Falling Down
07. Also A But
08. The Main Thing
09. Shallow Sun
10. Sting
11. Silent World
12. Procession
13. Brother
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