Temples - Hot Motion

Foi à boleia da ATO Records que já viu a luz do dia Hot Motion, o terceiro registo de originais dos britânicos Temples, uma banda de rock psicadélico formada por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Warsmley (baixista), Sam Toms (baterista) e Adam Smith (teclista e guitarrista). Este quarteto natural de Kessering, estreou-se nos discos em dois mil e catorze com o excelente Sun Structures, três anos depois foi editado Volcano, o sempre difícil segundo disco e agora foi a vez de Hot Motion, onze canções que reavivam mais uma vez e com notável esforço, mas de um modo menos intuitivo, aquele som que conduziu alguns dos melhores intérpretes do rock experimental e progressivo da história do rock clássico.


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Ao terceiro disco os Temples brindam-nos com aquele que é, claramente, o alinhamento mais intrincado, complexo e grandioso da carreira do projeto. E fazem-no com uma abordagem, quer sonora quer lírica algo sombria, que talvez seja reflexo do período conturbado em que se vive atualmente nas Terras de Sua Majestade, fruto de todas as indefinições e até já de um certo caos instalado, devido ao brexit.


Portanto, Hot Motion pode muito bem ser, se o ouvinte quiser, um espelho de todo esse clima, com canções como a tremendamente nostálgica You’re Either On Something, uma composição liricamente muito bem sucedida (You're either on something or you're onto something), a homónima Hot Motion, que versa sobre as tensões do desejo, sobre sonhos e pesadelos e já com direito a um hipnótico vídeo da autoria de David Lynch, ou a desconcertante e aguda The Howl, a ficarem um pouco a milhas daquela postura mais direta, luminosa e até algo lo fi que caraterizou Sun Structures, o maravilhoso disco de estreia do grupo, que apostava em melodias contagiantes e com forte perfil radiofónico, uma premissa deixada agora para segundo plano, na minha opinião.


Assim, onde antes havia cor, espírito de aventura, jovialidade e crueza, existe agora desejo de majestosidade, de conjurar o complexo e de confrontação até, por parte de uns Temples mais sérios, digamos assim e que parecem ter sido apanhados numa teia conjuntural que terá mirrado aquela faceta divertida, ligeira e festiva que já os caraterizou e que agora parece um pouco distante. Espero que aprecies a sugestão...


Temples - Hot Motion


01. Hot Motion
02. You’re Either On Something
03. Holy Horses
04. The Howl
05. Context
06. The Beam
07. Not Quite The Same
08. Atomise
09. It’s All Coming Out
10. Step Down
11. Monuments


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