Night Moves - Can You Really Find Me

Já chegou aos escaparates e através da insuspeita Domino Records, Can You Really Find Me, o novo registo de originais da dupla norte-americana Night Moves, formada por Micky Alfano e John Pelant, sendo o último o principal responsável pela escrita das canções neste projeto. Can You Really Find Me foi produzido por Jim Eno, membro fundador e baterista dos Spoon, nos estúdios Public Hi-Fi em Austin, no Texas e contou com as participações especiais dos músicos Mark Hanson e Chuck Murlowski.


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Sedeados em Minneapolis, estes Night Moves apostam todas as fichas numa espécie de mistura entre um country cósmico e o típico rock psicadélico, um caldeirão improvável mas perfeito para incubar canções texturalmente ricas e que acabam por encarnar deliciosos tratados de epicidade e lisergia, como é possível atestar no conteúdo de Can You Really Find Me.


De facto, neste sucessor de Pennied Days, o disco que os Night Moves lançaram em fevereiro de dois mil e dezasseis, canções como Ribboned Skies, uma composição onde o piano se mostra tremendamente sedutor, Mexico, um solarengo tratado de pop efusiva, Keep Me In Mind, uma ode à melhor herança daquela América profunda que teve sempre uma indisfarçável faceta psicotrópica, Waiting For The Simphony, um portento de cosmicidade e sentimentalismo e, principalmente, Strands Align, uma verdadeira orgia lisérgica que nos catapulta, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie folk psicadélica e o rock experimental, divagamos por um alinhamento extremamente coeso, com uma identidade sonora perfeitamente definida e certamente conduzido pela ambição de criar um microcosmos sonhador onde a realidade ao redor ganha cores garridas ou um romantismo incurável.


Can You Really Find Me sabe a Queen e a Fleetwood Mac e transporta melodias gentis, cantadas quase sempre com a voz de John Pelant próxima de um registo enternecedor e delicado e muitas vezes atravessada por trechos de rock cósmico, que apenas nos sobressaltam um pouco antes do regresso à pureza original em que o disco assenta, uma convocatória à celebração e até ao romantismo, que nos emerge numa realidade palpável e, ao mesmo tempo, efabulada, com canções que nos trazem o melhor de uma América cada vez mais heterogénea e saudosa de um passado que já foi bem mais glorioso, por muito que o poder instalado tente demonstrar o contrário. Espero que aprecies a sugestão...


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