Os norte-americanos Copeland de Aaron Marsh (voz, guitarra, baixo, piano), Bryan Laurenson (guitarra) e Stephen Laurenson (guitarra) já andam por cá, algo despercebidos, é certo, mas tremendamente criativos, desde o início do novo milénio. Têm cinco discos em carteira, sendo o último IXORA, um registo editado em novembro de dois mil e catorze e que já tem finalmente sucessor, um trabalho intitulado Blushing, que viu a luz do dia há poucos dias, à boleia da tooth & nail records.

Gravado nos dois últimos dois anos no The Vanguard Room, o estúdio de Aaron Marsh, em Lakeland, Florida, terra natal da banda e misturado em Nova Iorque por Michael Brauer, Blushing assenta, liricamente, na habitual escrita algo intrincada e levemente lúgubre, que carateriza o cardápio lírico dos Copeland, envolvida por um arquétipo sonoro que, piscando também o olho à eletrónica, consegue ser, com superior subtileza, sereno e majestoso.
Logo que foi revelado Pope, o primeiro single de Blushing, percebeu-se que este seria mais um álbum emotivo e capaz de mexer com o âmago de quem se predispusesse a destrinçar o seu conteúdo, que vai sempre muito além, no caso dos Copeland, da simples vertente musical. E de facto, a atmosfera cativante do registo, que facilmente nos faz levitar e dançar e sonhar em simultâneo, sendo transversal a todo o alinhamento, faz de Blushing uma espécie de disco conceptual, idealizado para funcionar como um potente soporífero e onde o clássico, o ambiental e o contemporâneo se misturam para dar vida a um receituário único no panorama alternativo atual.
O sintetizador e a batida hipnótica que o sustentam em Lay Here e que depois são envolvidos por detalhes borbulhantes, o piano digital e a bateria inituitiva que conduzem a radioheadiana As Above, So Alone, o indistinto charme de Night Figures, a guitarra abrasiva de Colorless ou a nave espacial que se despenha entre os efeitos inebriantes e a distorção vocal de On Your Worst Day, são telas sonoras de elevado cariz impressionista, dentro daquilo que pode ser descrito como uma eletrónica feita de um ímpar bucolismo que nos força a enfrentar o nosso lado mais melancólico, etéreo e introspetivo, enquanto os Copeland parecem querer colocar a nú algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que o homem tem, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que o rodeia. Espero que aprecies a sugestão...
Comentários
Enviar um comentário
Comment, please...