Sem um daqueles sucessos radiofónicos que catapultam um projeto para o éden durante um longo período de tempo, sem uma portentosa máquina de marketing por trás, vídeos com milhões de visualizações ou uma editora internacional nos seus créditos, os Thievery Corporation continuam, quase duas décadas após a estreia, a ser um dos nomes mais consensuais e influentes da chamada música de fusão, tendo uma base de seguidores fiel e numerosa em todo o mundo, a sua própria editora, a ESL Music Label, assento destacado em cartazes de alguns dos mais relevantes festivais de música e, mais importante que tudo isso, uma carreira recheada de extraordinários momentos sonoros. Assim, em 2017 os Thievery Corporation chegam ao seu oitavo disco de originais e embarcam em mais uma digressão que passa hoje por Portugal e que será certamente recheada de excelentes concertos, assentes não só neste novo disco, mas num extenso e eclético catálogo capaz de agradar a todos aqueles que se predisponham a dançar ao som desta dupla de Washington, formada por Rob Garza e Eric Hilton.
Se em 2014 os Thievery Corporation olharam profundamente para o Brasil no disco Saudade, agora em The Temple Of I And I, é a Jamaica que os seduz, com as quinze canções do registo a captarem muita da essência mítica e do poder da música deste arquipélago caribenho, resultado de uma prolongada estadia da dupla em 2015 numa das suas principais cidades, Port Antonio. Repleto de participações especiais das quais se destacam, por exemplo, os rappers Zee e Notch ou a norte americana Lou Lou Ghelichkhani, acaba por ser à boleia da jamaicana Raquel Jones, quer na contagiante Letter To The Editor, quer na interventiva Road Block, que melhor é absorvida e explanada toda a influência e exotismo deste pedaço de mundo onde nasceu, como todos sabemos, o reggae.
Estando, portanto, toda a herança sonora da Jamaica em ponto de mira para os Thievery Corporation neste The Temple Of I And I, esse mesmo reggae firma-se, naturalmente, como o grande suporte estilístico da sonoridade do seu alinhamento, com o dubb, o jazz, o rap e a eletrónica e fornecerem a base para arranjos, batidas, efeitos e até trechos melódicos, destacando-se, como grandes instantes do disco, o excelente baixo que conduz Strike The Root e True Sons Of Zion, a cadência algo inebriante e hipnótica do instrumental Let The Chalize Blaze e também do tema homónimo e as batidas de Babylon Falling. O objetivo primordial é que se mantém o de sempre; Fazer o ouvinte dançar mas também refletir sobre vários aspetos da vida contemporânea. nomeadamente os de cariz eminentemente político.
Já não restam dúvidas que Garza e Hilton apreciam imenso ir ao génese de alguns dos movimentos musicais essenciais da dita música do mundo, num disco onde, de acordo com os próprios, os Thievery Corporation dão vida à vocalização melancólica, quente e cheia de alma que faz parte da essência do reggae e completam um círculo onde, depois de deambularem pela música eletrónica e, no exato momento anterior a este registo, pela bossa nova, viajaram agora para algo ainda eminentemente orgânico, construindo mais um tronco do túnel do tempo musical que é a sua discografia, antes de passarem ao próximo capítulo. Espero que aprecies a sugestão...

01. Thief Rockers (Feat. Zee)
02. Letter To The Editor (Feat. Racquel Jones)
03. Strike The Root (Feat. Notch)
04. Ghetto Matrix (Feat. Mr. Lif)
05. True Sons of Zion (Feat. Notch)
06. The Temple of I And I
07. Time + Space (Feat. Lou Lou Ghelichkhani)
08. Love Has No Heart (Feat. Shana Halligan)
09. Lose To Find (Feat. Elin Melgarejo)
10. Let The Chalice Blaze
11. Weapons Of Distraction (Feat. Notch)
12. Road Block (Feat. Raquel Jones)
13. Fight To Survive (Feat. Mr. Lif)
14. Babylon Falling (Feat. Puma)
15. Drop Your Guns (Feat. Notch)
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