Jordan Thompson, Liam Halliwell, Curtis Wakeling, Lachlan Denton, Zac Denton e Crowman, são os The Ocean Party, um projeto australiano de indie pop oriundo de Melbourne e que se move em pardacentas areias sonoras, onde pianos, batidas, sopros e cordas conjuram aventuras e demandas, rumo aquela luz que nunca esmorece e que além de nos aquecer a alma, pode também fazer oferecer sensações físicas que nem sempre conseguimos voluntariamente controlar.
Restless, um belíssimo tomo de onze canções e que se abre perante nós através do delicioso buliço de um tema homónimo que nos mostra todos os ingredientes de que este projeto se serve, é o mais recente assomo de delicadeza, mas também de desafio, deste sexteto que não se importa nada de nos fazer recuar até aos gloriosos anos oitenta, quer nas asas do baixo e do sintetizador da majestosidade inebriante de Hunters, mas também da subtileza festiva que extravasa da incrível e frenética melodia que conduz Back Bar e, mais adiante, na elegância de West Koast.
Abrigados pela insuspeita Spunk Records!, morada de nomes tão consistentes como Nadia Reid, Ty Segall ou Emma Russack, os The Ocean Party gostam de passear e fazer-nos também passear entre a serenidade e a agitação sem darmos conta, sendo exímios a compôr temas que, frequentemente, contêm um clima simultaneamente misterioso e atraente, algo que Decent Living clarifica com particular bom gosto, balizados por uma indie pop apimentada com uma elevada dose de experimentalismo. Apesar de o clima destas canções ser antagónico ao habitual cinzentismo enigmático do rock de cariz mais sombrio, o baixo é, curiosamente, um instrumento essencial na condução das canções de Restless, com Teachers a ser um excelente exemplo do modo como se servem dele para solidificar o edifício que sustenta o tema e como depois afagam os restantes instrumentos em redor. Logo a seguir, em Better Off, há um timbre de guitarra que vai surgindo e servindo de chamariz para um entra e sai de cordas e sopros, mas o baixo está lá sempre, permanentemente, a guiar toda a trama e a não deixar que toda esta heterogeneidade rítmica e instrumental resvale. Já em Pressure é mesmo o baixo que sobe ao palco em primeiro lugar e o instrumento sobre o qual todos os holofotes se colocam à medida que a canção escorre em arrojo e emoção e transmite o seu ideário.
Em Restless fica clara a capacidade inata dos The Ocean Party em compôr entre a serenidade e a agitação sem perderem sapiência melódica, caraterística que lhes confere uma versatilidade difícil de encontrar na maioria das bandas da atualidade. As canções deste disco não são apenas um simples agregado de efeitos e batidas, entrelaçadas com acordes e sons de cordas, mas algo grandioso, transmitindo um rol de emoções e sensações expressas com intensidade e minúcia, misticismo e argúcia e sempre com uma serenidade melancólica e bastante contemplativa. Reach talvez seja aquela canção que melhor consegue resumir este excelente compêndio de canções que atesta a maturidade o alto nível de excelência, de uma banda que merece chegar ao público ávido de novidades e que procura constantemente algo de novo e refrescante e que alimente o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...

01. Restless
02. Hunters
03. Back Bar
04. Decent Living
05. Teachers
06. Better Off
07. Pressure
08. Reach
09. Second Guess
10. West Koast
11. Locked Up
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