The Laurels – Sonicology

Os The Laurels são uma banda de Sidney, na Austrália, formada por Luke O’Farrell (voz, guitarra), Piers Cornelius (voz, guitarra), Conor Hannan (baixo)  e Kate Wilson (bateria). Depois de Plains, o disco de estreia do grupo, editado no passado mês de julho pela Rice Is Nice Records e produzido por  Liam Judson, o mesmo que orientou o EP Mesozoic, primeiro registo oficial da banda, lançado em 2011, o coletivo está de regresso com Sonicology, onze canções que confirmam este projeto como um dos grandes expoentes do shoegaze e do cenário psicadélico dos antípodas.


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Os The Laurels são mais uma banda, como tantas outras que têm passado por cá, a seguir a tendência de redescobrir e reutilizar sonoridades do passado. Algumas fazem-no de forma descaradamente objetiva, copiando estilos e até melodias de forma exaustiva. Outros conseguem utilizar o som de ontem de outra forma, procurando reinventar, fundir referências e, sobretudo, dar personalidade e um cunho identitário próprio (da banda ou artista) ao som.


Considero que os The Laurels encaixam na segunda opção. Sonicology é um misto de várias sonoridades do passado que, por se combinarem, não ficam datadas. Assim, se Reentry apela aquele espírito majestoso da época faustosa da britpop, algures entre o Screamadelica dos Primal Scream, o Definitely Maybe dos Oasis e o Modern Life Is Rubbish dos Blur, já Sonicology, o single homónimo, calcorreia territórios mais relacionados com o punk rock de fino recorte, enquanto Some Other Time, por exemplo, pisca o olho aquela vibe mais etérea e psicadélica setentista, tão do agrado de outros projetos conterrâneos e que são hoje verdadeiros ícones do indie rock de cariz mais lisérgico. E bastam estes três exemplos para percebermos o ambiente geral de um trabalho que nos oferece um som muito plural, criado a partir de elementos retirados das mais diversas épocas e estilos, sem que soem necessariamente presos a esses géneros.


Ouvir este disco é, em suma, como dar um passeio pela história do pop e da psicadelia e também por outros territórios. Acabo por não resistir a finalizar sem deixar de referir que Frequensator traz-nos as guitarras potentes e empoeiradas do shoegaze, também presentes noutras canções e que o baixo de Mecca e a guitarra que sobre ele flutua, contém uma dose de distorção que lembra os Pixies no período aúreo, apesar dos restantes arranjos da composição apelarem para o clima do típico rock psicadélico dos anos setenta, onde também encaixa o edifício sonoro que sustenta Aerodrome.


Em suma, estamos na presença de um típico disco simbiótico, cheio de nuances sónicas que vale a pena descobrir, destrinçar e escutar com particular minúcia, oferecidos por uns The Laurels, conhecidos como uma das melhores bandas ao vivo australianas da atualidade e que continuam a conseguem ultrapassar o sempre difícil teste do segundo disco, com uma postura sonora muito genuína e que exploram positivamente, quase até à exaustão. Espero que aprecies a sugestão...


The Laurels - Sonicology


01. Reentry
02. Sonicology
03. Clear Eyes
04. Some Other Time
05. Trip Sitter
06. Frequensator
07. Aerodrome
08. Hit And Miss
09. Central Premonition Registry
10. Mecca
11. Zodiac K


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