Eric Hillman, Brian Holl, Nathan Reich, Nate Babbs e Clayton Fike, são os Foreign Fields, uma banda norte americana natural de Nashville que se tem notabilizado desde 2012 com uma consistente série de eps, construídos com fino recorte e indesmentível bom gosto. Take Cover, o primeiro longa duração do grupo, assume-se como o lógico passo em frente de um já glorioso percurso, assente em canções bastante emotivas e incisivo a expôr os dilemas e as agruras da vida comum à maioria dos mortais, mas também as alegrias e as recompensas que a existência terrena nos pode proporcionar.
Logo na inquietude quase impercetível de I Killed You In The Morning percebe- se que há uma espécie de sonambulismo retemperador na música destes Foreign Fields, como se o mundo em redor se estilizasse e ficasse estático e perene, perante este incitamento automático à reclusão e à reflexão profunda. Logo depois, no single Dry, perante o desfilar harmonioso de cordas, teclas e batidas, que ora planando ora se enterrando chão dentro direitinho ao nosso âmago e que carregam consigo uma folk muito introspetiva e tremendamente reflexiva, consegue-se, em simultâneo, obter uma corajosa epicidade e um incomensurável torpor, algo musculado, mas que nos oferece uma sensação de segurança de difícil catalogação.
E assim arranca este Take Cover, um disco onde se escutam alguns arranjos e detalhes muito simples, mas também cavidades intrincadas de sons das mais variadas proveniências e cores, feitas quase sempre com instrumentos de percurssão, teclados e harmónicas, elementos que nos levam ao colo numa viagem intimista pelos caminhos rugosos de uma América sulista, que preza valores e tradições e não aquela América feita apenas com o caos das metrópoles gigantescas, cheias de luzes, néons e cor, mas às vezes também com locais muito escuros e sombrios.
Esta é, no fundo, uma pop suculenta, que por ter uma fácil assimilação, não significa que seja rarefeita, minimal, ou desprovida de ingredientes faustosos, encontrando o seu lado delicioso e atrativo exatamente no modo como conjuga todo um requinte instrumental, à medida que desfila um derrame de versos extensos e quase descritivos dos habituais acontecimentos quotidianos, sempre com um olhar para o mundo físico e não apenas para uma exposição de emoções intrínsecas.
Se vontade faltar para mais, deixemo-nos ficar apenas e sós pelo piano e pelo falsete de Weeping Red Devil, criado para expiar pecados mas também para comungar com o ouvinte os prazeres que experimenta, para percebermos como vale a pena descobrirmos que este disco oferece-nos gratuitamente um exercício de aceitação plena de um estado de consciência sobre uma vida em constante rebuliço, mas constante no modo como lida com os diferentes sentimentos e emoções de uma América campestre, um pouco fechada sobre sim mesma e o seu passado, que muitas vezes parece ter parado há várias décadas no tempo, hoje numa autêntica encruzilhada, mas que não deixa também de ser muito luminosa e acolhedora. Espero que aprecies a sugestão...

01. Tangier
02. I Killed You In The Morning
03. Dry
04. I
05. Weeping Red Devil
06. Grounded
07. In Love Again
08. We Live Inside
09. Take Cover
10. Correct Me
11. Hope Inside The Fire
12. When You Wake Up
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