Foi através da Tambourhinoceros que os dinamarqueses Efterklang, formados por Casper Clausen, Mads Christian Brauer e Rasmus Stolberg, regressaram aos discos, fazendo-o com Leaves: The Colour Of Falling, um álbum de música clássica onde juntamente com a The Happy Hopeless Orchestra e alguns vocalistas conterrâneos de renome, nomeadamente a lendária Lisbeth Balslev (soprano), Morten Grove Frandsen (contratenor), Katinka Fogh Vindelev (soprano) e Nicolai Elsberg (baixo), dão vida a lindíssimos poemas da autoria de Ursula Andkjær Olsen.
Exímios no modo como nos oferecem sons criados com forte inspiração em elementos paisagísticos, este trabalho tem uma sonoridade única e peculiar e surge na sequência de outros projetos que esta consagrada banda dinamarquesa tem vindo a levar a cabo ultimamente, dos quais se destacam a participação na banda sonora do filme An Island e a criação do ambiente sonoro do restaurante Noma, um dos mais famosos da Dinamarca.
Ao longo da carreira, o som deste grupo não foi sempre algo estanque e a opção por um alinhamento de contornos eminentemente eruditas acaba por ser um passo lógico depois de uma fase feliz que assentou na mistura de sonos típicos do rock mais progressivo com a eletrónica de cariz mais ambiental. Tem sido, portanto, um percurso cheio de períodos de transformação, que oscilaram entre momentos minimalistas e outros mais expansivos e este Leaves: The Colour Of Falling acaba por, à boleia de uma orquestra, fazer uma espécie de súmula de toda uma amálgama de elementos e referências sonoras, como se todo este arsenal instrumental servisse para, no momento certo para, assim como uma linha de costura, unir pedaços separados e que precisavam de ser agregados.
Assim, se em Imagery Of Perfection somos conduzidos para lugares calmos e distantes, algo místicos, já o single City Of Glass parece querer derrubar tratados e convenções rumo a uma reunificação universal onde tudo é transparente e faz realmente sentido, com a voz de Morten em Spider's Web e o som dos metais e dos coros em The Colour Not Of Love a terem aquela cor e brilho que nos fazem levitar, começando assim um disco cheio de sentimos, emocionalmente profundo e que quando termina deixa-nos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de algum deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão...

01. Cities Of Glass
02. Imagery Of Perfection
03. Spider’s Web
04. The Colour Not Of Love
05. Leaves
06. Stillborn
07. Abyss
08. No Longer Me
09. Eye Of Growth
10. Wind
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