Pixies – Head Carrier

Depois de em abril de 2014 ter chegado aos escaparates Indie Cindy, o primeiro disco dos Pixies de Black Francis em vinte e três anos, este projeto formado em 1986 e um nome fundamental para o desenvolvimento do indie rock alternativo, continua a alimentar este segundo fôlego na carreira, ainda sem Kim Deal e com uma nova baixista, Paz Lenchantin. E fá-lo, agora, com doze canções agregadas num novo trabalho, intitulado Head Carrier, que viu a luz do dia no ocaso de setembro último.


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Head Carrier é mais um passo em frente no propósito de Black Francis de apresentar ao público uns Pixies cada vez mais longe do som roqueiro e lo fi do passado, mas sem o renegar totalmente e alinhados com as tendências mais recentes do campo sonoro em que se movimentam, procurando, simultaneamente, aquela salutar contemporaneidade que todos os grupos de sucesso necessitam e precisam, independentemente da riqueza quantitativa e qualitativa da sua herança e também renovar a sua base de seguidores com um público mais jovem, sempre atento e ávido por boas novidades. 


Seja como for, e como de algum modo já referi, o adn dos Pixies não deixa de ser respeitado, mais que não seja pela filosofia melódica e instrumental subjacente ao arquétipo sonoro das canções, um respeito patente no rock cássico de Might As Well Be Gone, no punk de Be Esprit e no rockabilly de Plaster Of Paris . Portanto, não estando propriamente presente em Head Carrier a estética sonora novocentista em todo o seu esplendor, além dos exemplos já citados, canções do calibre da ruidosa Oona ou o riff de guitarra claramente radiofónico de Tenement Song, conseguem, salutarmente, estabelecer pontes e, de certo modo, oferecer novos desafios ao cardápio da banda ao mesmo tempo que não defraudam quem é mais devoto relativamente à história dos Pixies. Aliás, encontrar semelhanças e diferenças entre o clássico Where Is my Mind e All I Think About Now é um exercício particularmente curioso e recompensador.


Head Carrier pode ser, para muitos, apenas mais um sinal de vida de uma banda que insiste em esbracejar sem saber muito bem que rumo seguir e que duas décadas depois achou que poderia voltar a ser relevante já que, tendo em conta o estatuto que construiu, voltar a compôr não pode nunca aspirar a menos que isso, mas há aqui, ainda, acerto criativo, patente na generalidade das canções e que deve ser exaltado por encarnar a coragem do grupo para prosseguir, apesar de todo o historial recente. É um compêndio que demonstra que é capaz de haver ainda uma pequena réstia de esperança para os Pixies e que a opção por continuarem a respirar e a ecoar, se tiver sequência, poderá levá-los a ocupar novamente um lugar de relevo no universo do indie rock alternativo. Espero que aprecies a sugestão...


Pixies - Head Carrier


01. Head Carrier
02. Classic Masher
03. Baal’s Back
04. Might As Well Be Gone
05. Oona
06. Talent
07. Tenement Song
08. Bel Esprit
09. All I Think About Now
10. Um Chagga Lagga
11. Plaster Of Paris
12. All The Saints


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