Os norte americanos Kings Of Leon, dos três irmãos Followill e do primo, estão de regresso aos discos com Walls, o sétimo disco da carreira deste quarteto que se estreou extamente há quase década e meia com o excelente Youth & Young Manhood, para mim ainda o melhor disco desta banda natural de Nashville, no Tennessee.
Disco após disco os Kings Of Leon têm procurado nunca seguir um fio condutor homógeneo e bem definido, ou seja, Caleb e companhia, dentro do universo indie rock, já experimentaram de tudo um pouco para descobrir a fórmula perfeita que possa fazer deles uma das bandas mais importantes e influentes do mundo, musicalmente falando e sem olhar para a componente comercial. Assim, para quem, como eu, conhece com algum rigor a discografia dos Kings Of Leon é interessante escutar Walls e perceber que estamos na presença de um disco que, enquanto procura apontar novos caminhos mais reflexivos, faz uma espécie de súmula da carreira de uma banda que, na minha opinião, tem vindo a decrescer de qualidade disco após disco, ao mesmo tempo que, curiosamente, ganha maior relevância como banda de estádio. Mas isto é apenas uma mera questão de gosto pessoal e aceito perfeitamente que existam opiniões divergentes da minha. Agora, o que me parece unânime e fácil de aceitar por todos aqueles que, como eu, acompanham a carreira dos Kings Of Leon, é perceber que não há um fio condutor homógeneo e bem definido no cardápio musical do grupo, ou seja, Caleb e companhia, dentro do universo indie rock, já experimentaram de tudo um pouco para descobrir a fórmula perfeita que possa fazer deles uma das bandas mais importantes e influentes do mundo, musicalmente falando e sem olhar para a componente comercial.
Tendo em conta o excelente baixo e as guitarras de Waste A Moment, um dos grandes temas de Walls, e a imponência orquestral do edifício melódico que envolve esta canção com um refrão avassalador, percebe-se, desde logo, que, como já referi, nesta nova etapa foi dada primazia a uma faceta algo sonhadora e romântica, que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada. E ao escutar-se o modo como em Reverend o baixo volta a ser preponderante na condução da canção e como em Around The World é permitido à guitarra e à bateria que fluam livremente, enquanto planam sobre o instrumento de três cordas, fica mais claro que, desafiando o que de melhor fizeram na carreira, os Kings Of Leon chegam a este sétimo disco sem usarem temas e sons reaproveitados, ou um simples verniz feito com arranjos em músicas já divulgadas, mas antes com a atitude corajosa de querem evitar ao máximo castrar a extraordinária capacidade criativa que o grupo demonstrou, nomeadamente no início da carreira, em Youth & Young Manhood e Aha Shake Heartbreak.
Até ao ocaso de Walls, no cerrar de punhos de Find Me, um monumental tratado de rock feito à medida de grandes e efusivas plateias, na encantadora tonalidade de Conversation Piece, ou na complacência do tema homónimo, desfila um alinhamento que se escuta com interessante fluidez e que prova, como referi, que se os The Strokes e os Yeah Yeah Yeahs, entre tropeços e acertos, piscaram o olho aos anos oitenta, se os Franz Ferdinand abraçaram o krautrock e os sintetizadores, se os Arctic Monkeys foram em busca da soul e do R&B, se os Bloc Party resolveu namorar com a eletrónica e até os Coldplay buscaram novos ares em Ghost Stories e A Head Full Of Dreams, estes Kings Of Leon não quiseram ficar atrás e têm aqui um disco que certamente os catapultará para uma posição de relevo no panorama musical alternativo, com um das bandas mais influentes do indie rock. Espero que aprecies a sugestão...

01. Waste A Moment
02. Reverend
03. Around The World
04. Find Me
05. Over
06. Muchacho
07. Conversation Piece
08. Eyes On You
08. Wild
09. WALLS
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