Dois anos após o excelente Present Tense, que tinha sido já um notável sucessor da obra prima Smother (2011), o quarteto britânico Wild Beasts está de regresso aos lançamentos discográficos com Boy King, o quinto disco da carreria do grupo, gravado do outro lado do atlântico, em pleno Texas, com a preciosa ajuda do produtor John Cogleton.
A carreira dos Wild Beasts tem sido marcada por um desenvolvimento progressivo e um aumento da bitola qualitativa da sonoridade apresentada de disco para disco e desde Smother, considerado unanimemente como o ponto alto da carreira do grupo, é percetível uma cada vez maior propensão para o encontro de propostas sonoras mais ambiciosas e sofisticadas, que possibilitem um alargar do leque musical dos Wild Beasts, sempre com a habitual qualidade lírica acima de qualquer suspeita e que importa também apreciar com devoção.
Get My Bang, o primeiro avanço divulgado de Boy King, tem esse lado inédito e abrangente, com o funk da batida, a sensualidade das vozes de fundo femininas e a simbiose entre a distorção das guitarras e um conjunto de referências que piscam o olho a alguns fragmentos mais preponderantes da eletrónica atual, sem descurar uma forte presença da synthpop típica dos anos oitenta, de forma equilibrada e não demasiado vintage, a fazerem da canção um excelente aperitivo para um álbum com um charme inconfundível e um pulsar tremendo e que logo em Big Cat oferece-nos também uma irresistível abordagem mais climática, subtil e insinuante, mas que serve para cimentar o ecletismo de um projeto no auge da sua maturidade.
Boy King acaba por fazer uma súmula de uma carreira de uns Wild Beasts que tendo, como já referi, a mira apontada para a pop sintetizada que fez furor nos anos oitenta, também não renegam algumas das tendências atuais mais bem sucedidas do rock alternativo, com o baixo a ser um instrumento fundamental nesta ponte entre o futuro e a nostalgia. O efeito reverberado de Tough Guy, entrelaçado com uma guitarra minimalista e os efeitos rugosos e graves que sustentam a eloquência vibrante de Eat Your Heart Out Adonis, assim como o piano minimalista de Dreamliner e os timbres hiperativos da já descrita Get My Bang e de Ponytail, dão-nos, com precisão, todo o mapa referencial de um disco impregnado de sensações, cheiros e sabores que remexem nas nossas memórias mais antigas, mas também nos apontam interessantes pistas sobre o modo como nos dias de hoje a simbiose entre rock e indie pop pode continuar a ser criativamente charmosa, intensa e chamativa. Espero que aprecies a sugestão...

01. Big Cat
02. Tough Guy
03. Alpha Female
04. Get My Bang
05. Celestial Creatures
06. 2BU
07. He The Colossus
08. Ponytail
09. Eat Your Heart Out Adonis
10. Dreamliner
11. Boy King Trash
Comentários
Enviar um comentário
Comment, please...