Hooded Fang - Venus On Edge

Chegou hoje aos escaparates à boleia da DAPS Records Venus On Edge, o muito aguardado quarto álbum dos canadianos Hooded Fang, uma banda natural de Toronto, formada por April Aliermo, Daniel Lee, D. Alex Meeks e Lane Halley e que do blues dos anos sessenta ao rock de garagem, são competentes na forma como abordam diferentes estilos e tendências dentro do universo sonoro mais experimental e alternativo.



De regresso à Daps Records, a etiqueta com a qual lançaram o homónimo de estreia em 2010,  que na altura impressionou a crítica mais atenta e onde também incubaram o sempre difícil, mas também bem sucedido, segundo álbum, intitulado Tosta Mista, este quarteto tem vindo a apresentar um som cada vez mais adulto e intrincado, com uma forte tonalidade urbana e típica dos subúrbios. O baixo e a guitarra abrasiva de Tunnel Vision e os desvios rítmicos percussivos dessa canção, clarificam, logo no começo do alinhamento, que este é um disco com uma forte componente instrumental, um trabalho exploratório que sem colocar definitivamente de lado a essência pop dos anos sessenta e setenta, que tem sempre acompanhado os Hooded Fang, pisca o olho a um universo ainda mais progressivo e sombrio.


Já convencidos e esclarecidos do que nos espera daí em diante, embrenhamo-nos corajosamente em Venus On Edge e, ainda sem sabermos que, lá mais para o ocaso, o solo do baixo de Vacant Light vai convencer definitivamente os mais cépticos acerca da excelência criativa destes Hooded Foang, a distorção aguda e o ritmo frenético do baixo impulsivo de Shadow e o devaneio fortememente etílico que transborda do andamento blues de Plastic Love, são bons exemplos de duas canções que poderiam estar esquecidas algures numa cassete legendada com uma banda lá do bairro, que apesar de nunca ter saído de um sala de ensaios que também servia de destilaria, tinha todo o potencial para poder chegar a um universo sempre ávido de sonoridades inéditas, como parece ser o caso destes Hooded Fang, prestes a conseguir posição de relevo na esfera indie internacional, se Venus On Edge lhe possibilitar o destaque que merecem.


A verdade é que, apesar de serem canadianos, Venus On Edge poderia ter sido gravado num velho saloon do oeste americano, cheio de cowboys a destilar whisky. O rock americano, com uma produção forte e notoriamente agressiva e progressiva, torna-se num verdadeiro cavalo de batalha na crueza lo fi e rugosa de Glass Shadows e no ambiente inquietante de Impressions, duas canções que são um verdadeiro caldeirão insinuante de ruído ordenado e feito com propósito e com todos os tiques do melhor punk rock que se pode escutar atualmente


Querem cantem sobre o amor no seu estado mais puro ou se debrucem sobre paragens de autocarros e como poderão ser um belo local para morrer, estes Hooded Fang são, definitivamente, mestres na manipulação do ruído sem colocar em causa propósitos melódicos e a necessária acessibilidade que lhes permita atingir uma base sustentada de ouvintes, nunca defraudando a essência de um projeto que, disco após disco, aperfeiçoa a abordagem experimental ao universo indie punk rock, através de um noise com uma base sonora bastante peculiar, ora banhada por um doce toque de psicadelia a preto e branco, ora consumida por um teor ambiental denso e complexo. Espero que aprecies a sugestão....


Hooded Fang - Venus On Edge


01. Tunnel Vision
02. Shallow
03. Plastic Love
04. Dead Battery
05. Glass Shadows
06. Impressions
07. Miscast
08. A Final Hello
09. Vacant Light
10. Venus


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