Os britânicos The Drink de Dearbhla Minogue, Daniel Fordham e David Stewart regressaram aos discos apenas onze meses após o espetacular disco homónimo de estreia, com Capital, o título do novo trabalho desta banda Londrina, gravado numa antiga quinta de produção suína, entretanto convertida em estúdio, nos arredores de Sheffield. De recordar que esse trabalho de estreia resultou de uma compilação dos três primeiros Eps do grupo e permitiu aos The Drink andar em digressão, com passagens pelos festivais Green Man e End Of The Road, abrir concretos para Toro Y Moi e participar no mítico programa da BBC 6, apresentado por Marc Riley.

Admiradores confessos de sonoridades esplendorosas e que os façam tocar a guitarra sempre completamente ligados à corrente, os The Drink abrem este disco com a roqueira e dançante Like A River e percebe-se logo que há, simultaneamente, com a ajuda de uma bateria a recordar detalhes do garage rock, uma tentativa de estabelecer pontes entre o indie rock, com alguns detalhes mais sensíveis da pop, bem estruturados e devidamente adocicados com arranjos bem conseguidos. O groove sedutor de You Won't Come Back At All e a luminosidade algo minimal e claramente ambiental da divertida Potter's Grave, acentuada por um falsete irrepreensível, oferecem-nos duas canções doces, mas com alguma distorção e instantes bem noisy, que ajudam a reforçar uma fusão particularmente consistente e carregada de referências assertivas.
À medida que o disco avança e somos confrontados com a densidade melodiosa de The Coming Rain e a subtileza invulgar que emana das cordas do baixo de Month Of May, enquanto se cruza com o efeito da guitarra e as teclas do orgão, vamos percebendo que este Capital é um exemplo particularmente feliz do que é um alinhamento que oferece um equilíbrio interessante entre a busca de uma toada lo fi expressiva e sintética e um som que não dispensa a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão. E a cereja no topo do bolo foi estes The Drink terem tido a capacidade de encontrar este ponto açucarado envolto numa pulsão rítmica, que casa eficazmente com uma voz apaixonada, uma Dearbhla Minogue que canta letras fortemente reflexivas sobre algumas questões importantes da sociedade ocidental contemporânea.
Chegamos ao ocaso de Capital e deparamo-nos com No Memory, talvez o momento mais alto deste belíssimo trabalho. Canção que fala do passado e de como ele tantas vezes nos consome e desfoca, No Memory oscila entre uma certa subtileza experimental percussiva e uma clara busca de algo mais comercial ao nível dos efeitos, o que faz do tema uma escolha nada inocente para chamariz do álbum. Há uma forte vertente experimental nas guitarras e uma certa soul na secção rítmica e no baixo sedutor, excelentes tónicos que potenciam o modo como Dearbhla sopra na nossa mente e a envolve com uma elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar, algo que provoca um cocktail delicioso de boas sensações. Capital viu a luz do dia a treze de novembro à boleia da Melodic Records. Espero que aprecies a sugestão...

1. Like A River
2. You Wont Come Back At All
3. Potter's Grave
4. Roller
5. Hair Trigger
6. I Can't Sleep
7. The Coming Rain
8. I'll Never Make You Cry
9. Month Of May
10. No Memory
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