Editado no passado dia vinte e três de junho, Bones é o novo trabalho dos Son Lux, um trio oriundo de Nova Iorque liderado por Ryan Lott e ao qual se juntam, ao vivo, Rafiq Bhatia e Ian Change. Falo de um projeto que sobrevive à luz de uma indie pop eletrónica de forte cariz ambiental, feita com uma míriade imensa de instrumentos e elaboradas cenografias sonoras, que transcendem as noções de género e fronteira, sem nunca se perder de vista a ideia da canção.
Bones, o quarto álbum da carreira dos Son Lux, é um excelente exemplo de como um disco feito quase exclusivamente com uma instrumentalização baseada em software informático, pode também criar canções com vida, substância e com um elevado pendor orgânico. A eletrónica é aqui um elemento preponderante e a presença de outros instrumentos serve apenas para ampliar o contraste e acrescentar novas cores a estes temas, que são, quase todos, muito cativantes.
Logo a abrir e após a enigmática intro Breat In, o esplendor de Change Is Everything dá-nos a certeza que estamos perante um álbum épico e cheio de luz. Isso sucede também devido à forma emotiva como Ryan canta a canção, um atributo precioso para dar ao tema essa vertente grandiosa. A míriade instrumental desse tema inclui arranjos com sons de sinos e uma percussão abrasiva e, logo a seguir, os flashes vigorosos da bateria eletrónica de Flight, adornados por samples de flautas e xilofones digitais, comprovam o virtuosismo de Son Lux em frente do computador e o seu génio na criação de texturas sonoras.
No restante alinhamento de Bones percebe-se uma maior dinâmica estrutural das canções relativamente aos trabalhos anteriores, um novo espírito mais superlativo, mas sem haver perda de controle, apesar de Lott arriscar frequentemente não só em variações rítmicas, mas também em densidade e volume, numa mesma canção. O rigor hipnótico do efeitos de You Don't Know Me e os flashes de cordas e as palmas, a toada tribal de Undone adornada depois por uma guitarra cristalina, ou a percussão exórica e cavernosa de Now I Want, são bons exemplos desta riqueza compositória claramente intuitiva e cerebral, que origina uma espécie de eletrónica minimalista mas ampliada até ao máximo do seu potencial. Já a melancolia de White Lies, que se desbrava num misto de euforia e contemplação, à medida que os diferentes efeitos vão-se revezando na linha da frente da estrutura melódica da composição e a espantosa solidez de I Am The Others, uma canção com diferentes linhas agrestes mas que exalam um intimismo romântico bastante peculiar, além de serem excelentes exemplos do que melhor se vai ouvindo na eletrónica atual, são mais dois temas que aprimoram eficazmente a atmosfera sonora de um grupo com uma direção sonora que às vezes parece recuar duas décadas, no modo como cruza sintetizadores e vozes com uma forte toada nostálgica e contemplativa.
Simples e intrigante, fortemente hermético e fechado num casulo muito próprio, Bones está revestido com uma eletrónica que exige particular dedicação, mas que recompensa quem se atreve a descobrir os seus recantos mais profundos e a procurar desbravar os territórios sonoros que decalca. Espero que aprecies a sugestão...

01. Breathe In
02. Change Is Everything
03. Flight
04. You Don’t Know Me
05. This Time
06. I Am The Others
07. Your Day Will Come
08. Undone
09. White Lies
10. Now I Want
11. Breathe Out
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