Lançado a dezasseis de junho pela Memphis Industries e composto enquanto a banda se encontrava disseminada por dois paises e três cidades, Slowness é o segundo álbum dos Outfit, um quinteto britânico oriundo de Liverpool e formado por Thomas Gorton, Nicholas Hunt, Christopher Hutchinson, David Berger e Andrew Hunt. Slowness sucede a Performance, o disco de estreia dos Outfit, editado em 2013 e, com um olhar angular mas bastante contemporâneo sobre a pop dos anos oitenta, oferece-nos uns Outfit revigorados e iluminados por um som amplo, adulto e bastante atmosférico, algo que se pode conferir logo no piano e nos efeitos de New Air. Esta é uma fórmula criativa, onde as teclas têm evidente destaque, mas assente, substancialmente, na primazia das guitarras e onde algumas texturas downtempo misturam-se com vozes inebriantes, cheias de alma e da típica e envolvente soul britânica.
A música dos Outfit tem corpo, alma e substância. É para ser encarada e apreciada sem reservas e exige uma análise detalhística, à boleia de todos os nossos sentidos, para que se torne compensadora a sua audição. Não é possível assimilar convenientemente a beleza poética e angelical de Happy Birthday ou o ritmo frenético e a conjugação feliz entre distorções e piano em Smart Thing se Slowness servir, apenas e só, como banda sonora casual de um instante normal e rotineiro da nossa existência. E o que se percepciona, procurando uma análise mais alargada deste cardápio, é que o conteúdo profundo destes dois temas e, por exemplo, os efeitos sintetizados de Boy, não são nada mais nada menos do que duas faces praticamente opostas de uma mesma moeda cunhada com sofisticação e que tem tudo para às vezes poder sensibilizar particularmente os mais incautos.
Mas há outros exemplos do modo hermético e ambicioso como os Outfit se movimentam dentro do espetro sonoro com que se identificam; Os sons abrasivos e os detalhes de alguns samples de Cold Light Home e o modo implícito como o piano os moldam, sem colocar em causa a grandiosidade dessa canção, assim como o luxuoso e luminoso andamento pop de On The Water On The Way evidenciam um notório e aprimorado sentido estético e a junção sónica e algo psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico. Já Genderless, um momento de pura experimentação, assente numa colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que, por isso, deve ser objeto do maior deleite e admiração, é outro extraordinário exemplo do paraíso de glória e esplendor que os Outfit procuraram recriar no seu segundo disco e que subjuga momentaneamente qualquer atribulação que no instante da sua audição nos apoquente.
Em Slowness houve claramente uma enorme atenção aos detalhes, notando-se um relevante trabalho de produção e a busca por uma cosmética cuidada e precisa na escolha dos melhores arranjos. Também por isso, este é um disco reflexivo e indutor de sensações intrincadas e profundas e nele os Outfit consagram-se como banda relevante no espetro da indie pop de cariz mais eletrónico e, mais importante que isso, dão-nos pistas preciosas sobre como permitir que o nosso íntimo sobreviva e se mantenha íntegro neste mundo tão estranho. Espero que aprecies a sugestão...
01. New Air
02. Slowness
03. Smart Thing
04. Boy
05. Happy Birthday
06. Wind Or Vertigo
07. Genderless
08. Framed
09. On The Water, On The Way
10. Cold Light Home
11. Swam Out

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