Jaill – Brain Cream

Lançado a trinta de junho pela Burguer Records, a etiqueta que já os tinha abraçado em 2009, com There’s No Sky (Oh My My), o aclamado disco de estreia, Brain Cream é o novo lançamento discografico dos Jaill, uma banda norte americana oriunda de Milwaukee e formada por Vincent Kircher, Austin Dutmer e Andrew Harris, de regresso à casa de partida depois de dois trabalhos editados pela insuspeita Sub Pop.



Basta um olhar atento à capa de Brain Cream para se perceber que a indie pop psicadélica é a grande força motriz deste trio. Aliás, as vozes aditivas, a ligeira distorção da guitarra e os acordes coloridos, enérgicos e joviais de Got an F, o primeiro single divulgado do disco, transportam-nos até ao auge dos anos setenta e ao universo místico hoje muito em voga e que alguns projetos atuais tão bem replicam.


Quando no início da última década algumas bandas alicercadas na pop, mas com orquestrações alternativas, começaram a receber bastante atenção dos média especializados, fazer e ouvir música recheada de nuances detalhadas e sons coloridos parecia ser uma excelente proposta para a música naquele momento. A mim, um entusiasta de novas sonoridades e do experimentalismo, confesso que me seduziu! Assim que naquela altura ouvi algumas bandas que trilhavam este caminho, rapidamente senti-me atraído por esta sonoridade, à boleia de uns Architecture In Helsinki, por exemplo e, mais recentemente, rendido aos Unknown Mortal Orchestra ou aos Tame impala. e na verdade, estes Jaill parecem ser fortes candidatos a fazer parte desta cartilha, suportados numa base eminentemente pop, bastante coerente e dinâmica e estruturalmente cheia de preciosos detalhes.


Além do tema já referido e que, sucintamente, agrega  a estirpe sonora destes Jaill, nos dois pólos do disco, temas como a frenética e intuitiva Sweet Tooth Lovers, ou a solarenga Just A lovely Day são dois exemplos inebriantes e festivos de um trabalho que se espraia por treze canções que fazem o tempo passar mais lentamente, mesmo quando o pedal das guitarras descontrola-se em Look At You, ou procura ambientes melódicos mais nostálgicos e progressivos, como é o caso do fuzz de Draggin' ou na intensa e ampla Chocolate Poison Time.


Brain Cream é uma verdadeira sequência de músicas divertidas e com minuciosos detalhes. Tanto Change Reaction como Slides And Slips aproximam o trio de uma linguagem sonora com aproximação a elementos folk e as boas sequências de arranjos de guitarras, elétricos e acústicos, a tematização alegre e alguns leves toques de psicadelismo fazem com que o trabalho cresça e cada nova canção, dividem o álbum em vários momentos e evitam que os melhores se concentrem quer na abertura, quer no término do disco. Falo de um disco sem ondas, homogéneo e lineado por alto, com a banda a orientar-se de uma forma bastante dançante e espontânea, próxima de um clima festivo, relaxante e solarengo.


Brain Cream é a consolidação definitiva de um projeto que andava tremido pelo desgaste do tempo e necessitava urgentemente deste ponto alto, feito através de um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Jaill. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as visões de uma pop caleidoscópia, cheia de sentido de liberdade e prazer juvenil . Espero que aprecies a sugestão...


Jaill - Brain Cream


01. Just A Lovely Day
02. Getaway
03. Got An F
04. Slides And Slips
05. Symptoms
06. Change Reaction
07. Picking My Bones
08. Little Messages
09. Draggin
10. Pointy Fingers
11. Chocolate Poison Time
12. Look At You


13. Sweet Tooth Lovers (bonus track)


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