The Smashing Pumpkins – Monuments To An Elegy

Foi a nove de Dezembro que chegou ao nosso sapatinho Monuments To An Elegy, o nono e novo álbum dos The Smashing Pumpkins de Billy Corgan, mais uma tentativa desta banda fundamental do rock alternativo das últimas três décadas de regressar aos bons e velhos tempos. Produzido pelo próprio Billy Corgan e por Howard Willing e Jeff Schroeder, Monuments To An Elegy é a segunda parte de um trabalho concetual com três tomos, iniciado com Oceania, sendo o terceiro Day for Night, o décimo trabalho dos The Smashing Pumpkins e que deverá ver a luz do dia já em 2015, o capítulo final de um projeto  intitulado Teargarden by Kaleidyscope, inspirado no Tarot e que pretende ser um álbum conceptual, com quarenta e quatro canções no total.



Com críticas que o colocam entre o melhor e o menos bom que os The Smashing Pumpkins já produziram até hoje, já que é frequentemente comparado a uma mescla entre Siamese Dream e o antecessor Oceania, um trabalho que até nem era, na minha opinião, um mau disco, Monuments To An Elegy é mais um claro sinal de vida de um músico que sendo lider incontestado de um grupo cujos membros têm sempre, inevitavelmente, de se adaptar ao seu líder, procurou desta vez tentar agradar aqueles que na década de noventa consideraram os The Smashing Pumpkins como uma banda essencial na sua banda sonora fundamental.


Os pouco mais de trinta minutos de Monuments To An Elegy são, portanto, uma mistura entre os melhores detalhes do rock alternativo da década de noventa, com algumas das atuais tendências, com o sintetizador de Run2Me a ser apenas um exemplo claro deste novo fôlego de quem pretende não renegar as suas origens e mostrar-se competente na abordagem a uma contemporaneidade que exige mestria para encaixar devidamente no seu ADN sonoro.


Com a participação especial de Tommy Lee na bateria, Monuments To An Elegy contém letras interessantes e apelativas, com o lamento sentido de Drums Plus Fife a ser a mais curiosa de um disco onde a temática do amor mais inocente e puro opôe-se às ideias de raiva e angústia que dominaram a escrita de Corgan durante muito tempo e que sempre encaixaram como uma luva na sua voz, mais espontânea e ingénua neste trabalho. O registo num quase falsete que Corgan canta em Dorian e que eu apreciei particularmente, nem parece o de um músico maduro e experimentado, mas de um novato que procura o melhor modo de se encaixar no arsenal instrumental que selecionou e que, neste caso, mistura, de modo assertivo, uma certa simplicidade com uma dose equilibrada de experimentalismo que as guitarras pesadas de Tiberius e One And All (We Are), o groove da dançante e soturna Anaise, a energia de Monuments e o clima mais pop de Being Beige e da já citada Run2Me, claramente demonstram.


Impecavelmente produzido, Monuments To An Elegy é um disco curto, mas ousado  no modo como procura fazer com que os The Smashing Pumpkins se tornem novamente relevantes, sendo louvável o modo como Corgan procurou reunir em nove canções amostras de todas as vidas que já viveu na banda que lidera, com um resultado coeso e que se escuta com particular interesse. Espero que aprecies a sugestão...


The Smashing Pumpkins - Monuments To An Elegy


01. Tiberius
02. Being Beige
03. Anaise!
04. One And All
05. Run2me
06. Drum Plus Fife
07. Monuments
08. Dorian
09. Anti-Hero


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