Secret Colours - Positive Distractions

Editado no passado dia vinte e nove de Abril, Positive Distractions é o novo disco dos Secret Colours, uma banda norte americana oriunda de Chicago, no estado do Illinois e formada atualmente por Tommy Evans, Justin Frederick, Eric Hehr e Mike Novak. Positive Distractions foi produzido por Dan Duszynski e editado pela própria banda em formato independente (Secret Colours Music LLC), sucedendo a Peaches, um trabalho que revelei há cerca de um ano.



O indie rock psicadélico de City Slicker é um bom cartão de visita para o conteúdo de Positive Distractions, um disco que foi antecipado por dois EPs que o separavam em duas partes, com os primeiros seis temas a apostarem no garage rock e no psicadelismo e a segunda parte do disco a ter uma toada mais acessível e pop. Mas importa analisar e sentir este disco como um todo e a verdade é que neste trabalho escuta-se uma hora de música magnífica, distribuída por doze canções que nos permitem aceder a uma dimensão musical com assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde convivem belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com distorções e arranjos mais agressivos.


Mas os sintetizadores também não faltam em Positive Distractions, com o groove de It Can't Be Simple a assentar numa linha sintética onde encaixam os restantes instrumentos, com especial destaque para um baixo, assim como na toada mais pop, fresca e hipnótica de Take It Slow, um tema com aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico. Mas uma das melhores surpresas do disco é Monster, uma típica canção rock, inicialmente bastante instrospetiva, melódica e harmoniosa e construida em redor de um lindíssimo dedilhar de uma viola, mas que depois recebe as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época, um caldeirão sonoro que lhe dá um cariz fortemente perfumado pelo passado, a navegar numa espécie de meio termo entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia.


A maior parte destas doze canções, apesar de abraçarem o noise rock, o rock alternativo e a psicadelia etérea feita com guitarras barulhentas, são simples, concisas e diretas. Às vezes pressente-se que os Secret Colours não sabem muito bem se queriam que as músicas avançassem para uma sonoridade futurista, ou se tinham a firme intenção de deixá-las a levitar naquele rock alternativo típico das últimas duas a três décadas do século passado. É certamente nesta aparente indefinição que reside uma importante virtude deste quarteto, que acaba por espelhar com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário atual do indie rock de cariz mais alternativo e independente.


Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, teclados, efeitos e vozes, em Positive Distractions tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do do que escuta tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se os Secret Colours projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, todas assentes num som espacial, experimental, barulhento e melódico, num misto de rock progressivo, blues e psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...


Secret Colours - Positive Distractions


01. City Slicker
02. It Can’t Be Simple
03. Take It Slow
04. Monster
05. Get To The Sun
06. Rotten Summer
07. Into You
08. I Know What You Want
09. Mrs. Bell
10. Heavy And Steady
11. Quite Like You
12. Positive Distractions


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