Depois do bem sucedido Reservoir, o trabalho de estreia, editado em 2009 e do menos exuberante, mas igualmente competente, sucessor, Rooms Filed With Light (2012), já chegou às lojas o terceiro disco da banda londrina de pop folk Fanfarlo, liderada pelo carismático músico sueco Simon Balthazar, ao qual se juntam Valentina Magaletti (substituiu recentemente Amos Memon), Cathy Lucas (teclado e violino), Leon Beckenham (piano e trompete) e Justin Finch (baixo). O novo trabalho dos Fanfarlo chama-se Let´s Go Extinct, viu a luz do dia através da etiqueta Blue Horizon e foi produzido por David Wrench, habitual colaborador do grupo e pelos próprios Fanfarlo.
Tem sido uma experiência bastante interessante o acompanhamento do percurso sonoro evolutivo destes Fanfarlo que, na minha opinião, por muitos álbuns que ainda venham a editar, dificilmente conseguirão, alguma vez, superar o espetacular encanto frágil e inocente de Reservoir, o trabalho de estreia, um pouco à imagem do que os Coldplay fizeram em Parachutes ou os Arcade Fire com Funeral. O sucessor, Rooms Filled With Light, foi um passo em frente no processo de amadurecimento da banda e na busca de novoas propostas instrumentais e agora Let's Go Extinct representa, de algum modo, o epílogo de uma triologia, a confirmação da superação de algumas limitações e receios e do sucesso na obtenção de um som mais empolgante, maduro e ambicioso.
Portanto, quem, como eu, tiver a perceção clara do conteúdo dos dois discos anteriores, ao escutar Let's Go Extinct percebe imediatamente que Simon e os seus parceiros procuraram, desta vez, criar ambientes sonoros épicos e luminosos e um som mais aberto e expansivo. A Distance, o primeiro tema que foi divulgado deste álbum, mostrou logo uns Fanfarlo mais alegres e explosivos e percebeu-se que eles queriam apresentar algo mais dançante e bem menos introspectivo.
A materialização prática de todo este novo referencial sonoro dos Fanfarlo, audível em Let's Go Extinct, utiliza como receita uma maior primazia da vertente sintética e dos teclados relativamente às cordas e à secção de sopros, duas nuances importantes da banda para a obtenção da sua caraterística toada folk, que não desaparece, mas ganha contornos mais modernos e consentâneos com a indie pop atual. Temas como We’re The Future, The Beginning And The End e Landlocked são exemplos claros da aposta nesta nova estratégia sonora, quase oposta ao conteúdo geral frágil e intimista das raízes de Reservoir.
Esta manutenção dos habituais tiques sonoros essencial dos Fanfarlo com novas abordagens é, realmente, o sustentáculo da sonoridade geral de Let's Go Extinct que, tematicamente, também procura dar um passo em frente no que liricamente o grupo costuma apresentar. Assim, desta vez procuram abordar temas cada vez mais abrangentes e arriscados que, conforme indica o título do álbum, abordam as principais dúvidas existenciais de uma humanidade que procura sobreviver neste planeta cada vez menos azul, fazendo-o a partir das nossas próprias origens, e ajudando o ouvinte a refletir sobre as mesmas, num clima feliz, animado e dançante.
Com uma maior aposta na mistura de uma orquestração pop com a eletrónica e numa mais diversificada amálgama sonora, em Let's Go Extinct os Fanfarlo anunciam que são uma banda que quer evoluir e ousa mudar, e assim, continuar a ser promissora. Espero que aprecies a sugestão..
01. Life In The Sky
02. Cell Song
03. Myth Of Myself (A Ruse To Exploit Our Weaknesses)
04. A Distance
05. We’re The Future
06. Landlocked
07. Painting With Life
08. The Grey And Gold
09. The Beginning And The End
10. Let’s Go Extinct
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