Ermo - Vem Por Aqui

Ermo é um projecto bracarense formado por António Costa e Bernardo Barbosa, que se estreou nas lides musicais em 2011. Motivados pela vontade de desenvolver uma sonoridade ímpar, inspiram-se no imaginário português e na nostalgia de tempos antigos. Por isso, a música tradicional é uma das pedras de toque deste projeto, como o toque de modernidade a ser conferido por uma eletrónica influenciada pelas sonoridades pop que sempre encontraram um terreno fértil no Alto Minho.




Os Ermo estrearam-se, como já disse, em 2012 com um EP que foi alvo de críticas bastante positivas e que mereceu fazer parte de algumas listas dos melhores trabalhos do ano. Por esse motivo, os Ermo viram importantes holofotes a incidir sobre si, que ficaram a aguardar, com enorme expetativa, este longa duração de estreia do projeto. Vem Por Aqui viu a luz do dia hoje, com o selo da Optimus Discos e está disponível para download gratuito, no sítio da editora.


De acordo com o press release do single Correspondência, que divulguei recentemente, disfarçada de canção de amor, "Correspondência" é-o, na medida em que, como uma carta endereçada a um país, ilustra um ternurento afecto por tudo aquilo que este representa. Dando o mote a um álbum que retrata um Portugal degradado, este tema surge como um pedido de desculpas; entre o amor e o ódio, fica um verso: "que quem se maltrata, se maltrata por amor".


Pelo conteúdo deste single acaba por ser possível perceber o restante conteúdo de um álbum que vai buscar a sua inpiração às raízes mais profundas da nossa identidade cultural e a muito do misticismo que está adjacente ao nosso passado e que é indissociável do mesmo. Quantos fatos da nossa história, considerados hoje como comprovados e verdadeiros, não terão surgido de uma espécie de faz de conta que serviu para elogiar determinadas personagens e enriquecer o nosso ideário coletivo?


Os Ermo trovam sobre esta nossa capacidade secular e tão lusitana de elevar a moral de um povo, através da religiosidade da nossa própria história e que explica, de algum modo, a sobrevivência de Portugal enquanto nação secular, contra todas as evidências e as lógicas mais sensatas. E fazem-no construindo impérios melódicos a partir de quase nada. São cantos da terra, não no sentido de música rural ou tradicional, mas no da sua acepção mística em que, a par do fogo, da água e do ar, ela surge como elemento primordial, encerrando em si grande parte dos mistérios da nossa existência.


Estou seguro que Vem Por Aqui, além de ter um belíssimo artwork, é um dos melhores discos nacionais do ano. Espero que aprecies a sugestão...




  1. Eu Vi O Sol

  2. Correspondência

  3. Macau

  4. Porquê

  5. Primavera

  6. Fronteira

  7. Projéctil

  8. Pangloss


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