Yuck – Glow And Behold

Depois de  disco de estreia homónimo, lançado em fevereiro de 2011, através da etiqueta Fat Possum e que divulguei na altura, os britânicos Yuck estão de regresso com Glow And Behold, um álbum lançado a um de outubro pela Fat Possum. Sendo o segundo disco dos Yuck, é uma espécie de segunda estreia já que o anterior líder da banda, Daniel Blumberg, abandonou entretanto o projeto e agora é o vocalista e guitarrista Max Bloom a assumir a voz e as rédeas dos Yuck, acompanhado por Mariko Doi, Jonny Rogoff e Ed Hayes.




Apesar de serem britânicos, os Yuck puseram os ouvidos no outro lado do atlântico, visto a sua sonoridade ser fortemente influenciada pelo rock alternativo americano dos anos noventa. Isso já acontecia na estreia e volta a ser evidente em Glow And Behold, mesmo no instrumental de abertura do disco. O segundo tema, Out Of Time, reforça esta ideia, uma canção que poderia muito bem constar do alinhamento do álbum dos RE.M. com o mesmo nome, ali algures entre Shinny Happy People e Near Wild Heaven.


A voz é, como seria de esperar, a grande mudança de Yuck para Glow And Behold, mas os temas mantêm-se, com a dor, a saudade e os problemas típicos da juventude a fazerem parte da lírica das canções. As vocalizações de Daniel, de cariz mais aspero e lo fi, foram agora substituidas por uma interpretação vocal mais melódica e harmoniosa; Max mistura bem a sua voz com as letras e os arranjos das melodias, o que faz com que o próprio som da banda ganhe em harmonia e delicadeza o que perdeu em distorção, apesar de, felizmente, o red line das guitarras não ter deixado de fazer partr do cardápio sonoro dos Yuck.


Se a audição de Yuck nos recordava aquelas cassetes antigas que temos lá em casa, empoeiradas, cheias de gravações caseiras e lo fi, do que ouvíamos à cerca de vinte a vinte e cinco anos atrás, Glow & Behold também nos leva para esse período, mas traz-nos à memória aquela fita magnética mais bem cuidada e onde guardámos os nossos clássicos preferidos que alimentaram os primordios do rock alternativo. Está aqui toda a nostalgia dessa época, canções que sabem a Teenage Fanclub (Shook Down), guitarras que fazem de Dinosaur Jr. (Get Away), Pixies (The Wall) e Pavement (Sunday), sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, apenas com  o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos o que queremos ouvir: canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termos entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia.


No fundo, os Yuck acabam por ser a visão atual do que realmente foi o rock alternativo, as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. E o grande brilho deste disco é, ao ouvi-lo, ter-se a perceção das bandas que foram usadas como inspiração, não como plágio, mas em forma de homenagem. Uma homenagem tão bem feita que apreciá-la é tão gratificante como ouvir uma inovação musical da semana passada. Espero que aprecies a sugestão...


Yuck - Glow And Behold


01. Sunrise In Maple Shade
02. Out Of Time
03. Lose My Breath
04. Memorial Fields
05. Middle Sea
06. Rebirth
07. Somewhere
08. Nothing New
09. How Does It Feel
10. Chinese Cymbals
11. Glow And Behold


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