Splashh - Comfort

I need a long vacation, some place to clear my mind, canta Sasha Carlson, uma neozelandesa a residir em Londres, em Headspins, logo na abertura da canção que abre o alinhamento de Comfort, o álbum que divulgo hoje. E é a isso mesmo que sabe Comfort, a uma porta aberta para um mundo paralelo feito de guitarras distorcidas e governado pela nostalgia do grunge e do punk rock que, pelos vistos, ainda se ouve por aí.


Os Splashh formaram-se o ano passado em Londres pela iniciativa da cantora e guitarrista Sasha e do guitarrista Toto Vivian, aos quais se juntaram o também neozalandês Jacob Moore na bateria e o baixista Thomas Beal. Começaram por partilhar alguns singles que divulguei oportunamente no blogue e que disponibilizaram gratuitamente no sitio da banda, depois surgiu o EP Vavation e agora, no passado dia três de junho, chegou finalmente o disco de estreia, este Comfort, por intermédio da Kanine Records.



A principal razão que justifica a minha interpretação incial de Comfort, como sendo um disco capaz de nos guiar até a um mundo paralelo, prende-se com o facto de os Splashh aliarem o tal grunge e o punk rock direto e preciso, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, numa espécie de space rock que, sem grande esforço, nos leva até territórios sonoros que os Pink Floyd tão bem reproduziram. Pode parecer um pouco ridícula esta equação ou termo de comparação, como lhe quiserem chamar, mas é como se algures os Nirvana e os Pink Floyd se tivessem juntado, sob supervisão direta dos Pixies e assim criado algo que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas que também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem a própria britpop na mira. Os My Bloody Valentine também podem ser para aqui chamados, especialmente pela toada lo fi e toda esta aparente amálgama prova que os Splashh estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.


A tal canção que abre o disco, Headspins, é precisa na forma como nos apresenta o som dos Splashh e o revivalismo do grunge. Se o baixo que abre a canção e as guitarras nos remetem para o período Silver dos Nirvana, não é nada descabido afirmar que melodicamente aproximam-se também do que nos apresentaram uns Elastica ou uns Sleeper nos primórdios da britpop, ainda na década de oitenta. De seguida, All I Wanna Do, o primeiro single retirado do álbum, transporta-nos até um ambiente mais direto e punk rock, assim como Need It, mas nos dois temas as guitarras dão o toque melódico e etéreo que permite às canções espreitar e ir um pouco além dessas zonas de influência sonora.


O disco prossegue quase sem darmos por isso e, de seguida, chega-nos Vacation, uma canção inicialmente mais introspetiva e lo fi e onde os My Bloody Valentine se fazem sentir com maior intensidade, até que chega o potente refrão e leva logo a canção para um caldeirão sonoro onde também está So Young, uma canção direta e acelerada, cheia de guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso.


Logo a seguir adorei o reverb algo tóxico da guitarra de Lemonade e o groove do baixo, que fazem desta canção uma das mais interessantes de Comfort e que nos remete para uma espécie de fuzz rock, que se mantém em Feels Like You, talvez o tema mais psicadélico e etéreo da rodela.


Comfort são pouco mais de trinta e três minutos de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as duas últimas décadas do século passado, um rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Splashh são um nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas à moda antiga e a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...



01. Headspins

02. All I Wanna Do

03. Need It

04. Vacation

05. So Young

06. Lemonade

07. Feels Like You

08. Green & Blue

09. Strange Fruit

10. Lost Your Cool



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