Conheço os Local Natives desde que em 2010 apresentei Gorilla Manor (2009) e desde aí fiquei sempre muito atento a este quinteto de Los Angeles. Assim, era com justificada expetativa quer aguardava por Hummingbird, o disco mais recente de um grupo californiano, que faz da leveza instrumental, do sofrimento traduzido em versos e da formatação primorosa que brinca com a excelência das formas instrumentais, a sua imagem de marca. Humminbird foi produzido por Aaron Dessner, dos The National e chegou às lojas no passado dia vinte e nove de janeiro pela Frenchkiss.
A sonoridade dos Local Natives sempre se manteve dentro de uma atmosfera bem delineada e de uma constante proximidade lírica e musical, algo bem patente no Gorilla Manor, uma obra que alicerçou definitivamente o rumo sonoro do grupo. Hummingbird concretiza tudo aquilo que foi proposto há três anos e acrescenta uma maior componente épica, feita com texturas monumentais e arranjos que parecem aproximar o grupo das propostas de Robin Pecknold (Fleet Foxes) e Win Butler (Arcade Fire) e fazer uma espécie de simbiose das mesmas. Continua a ouvir-se os detalhes étnicos e conceptuais, mantendo-se uma relação estreita com as propostas mais recentes dos Vampire Weekend e a obra dos Talking Heads. Já agora, acrescento que Warning Sign, dos Talking Heads, foi alvo de uma versão pelos Local Natives.
Em Hummingbird há coerência no alinhamento e cada tema parece introduzir e impulsionar o seguinte, numa lógica de progressão, mas nunca perdendo de vista as melodias suaves e a dor, dois vectores essenciais do conceito sonoro dos Local Natives. Dessa forma, enquanto Heavy Feet cresce de maneira a soterrar-nos com emanações sumptuosas e encaixes musicais sublimes, Ceilings puxa o álbum para ambientes mais melancólicos e amenos. Existem ainda composições que lidam, em simultâneo, com esta duplicidade, caso de Breakers, um tema que nos transporta até altos e baixos instrumentais, que atacam diretamente os nossos sentimentos.
E são estes sentimentos que suportam cada mínima fração instrumental e poética de Hummingbird; Das confissões de You & I, à honestidade de Bowery, praticamente tudo aquilo que se ouve lida com aspectos dolorosos da vida a dois, algo que aproxima também os Local Natives dos lamentos adultos que abastecem a obra dos The National, algo a que não será alheia a já referida presença de Aaron Dessner na produção.
Hummingbird é também um deleite para os apreciadores de belas vozes; Os músicos da banda vão-se revezando na sobreposição de cantos e de maneira orquestral direcionam os rumos marcados pelos instrumentos. As vozes servem como estímulo para o começo, o meio e o fim das canções e não são apenas um instrumento extra, mas a linha que guia e amarra o álbum do princípio ao fim.
Embora tenha a concorrência de um universo musical saturado de propostas, Hummingbird consegue posicionar os Local Natives num lugar de destaque, porque traz na constante proximidade entre as vozes e as melodias instrumentais, imensa emoção e carateriza-se por ser um registro que involuntariamente chama a atenção pela beleza e que, por isso, deve ser apreciado com cuidado e real atenção. Espero que aprecies a sugestão...
01. You And I
02. Heavy Feet
03. Ceilings
04. Black Spot
05. Breakers
06. Three Months
07. Black Balloons
08. Wooly Mammoth
09. Mt. Washington
10. Columbia
11. Bowery
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