Terminou no passado dia dez de setembro a longa espera entre o primeiro álbum quase homónimo dos XX e Coexist, o mais recente longa duração do grupo, lançado pela Young Turks. Mais de três anos depois de nos termos deliciado com VCR, Crystalised, Infinity e Islands, o trio remanescente composto por Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie Smith (a baixista Baria Qureshi deixou o grupo ainda em 2009) regressa à habitual sonoridade redutora e minimal e faz jus à sua imagem de marca, apenas limpando alguma poeira da estreia, além de ampliar os índices de criatividade.
Ao contrário de outros projetos que preparam o sempre traumático segundo disco, o tempo foi, sem dúvida, um aliado na curta e bem resolvida trajetória dos The XX. Ocorreram transformações na vida de cada um dos componentes da banda nos últimos anos e, apesar da espera, manteve-se o carinho e uma pressão positiva por parte do grande público.
Este espaço temporal relativamente longo entre um trabalho e outro fez-nos salivar imenso e talvez, devido a toda essa ansiedade acumulada, não seja fácil ajuizar facilmente e com imparcialidade o conteúdo de Coexist, razão pela qual não me causou admiração ter percebido, nas críticas que li, o estado de embriaguez absoluta que se apoderou dos ouvidos dos críticos, dos fãs e dos musical opinion makers. E tudo gira à volta da mesma ideia; a genialidade da estreia fez desse disco um clássico natural e imediato e Coexist, para alegria de todos nós, plagia essa proposta inicial quase na íntegra. Assim, o que para outras bandas seria motivo de crítica e de acusação por défice de originalidade e de capacidade em arriscar noutros campos sonoros, para os The XX é sinónimo de sucesso pleno e de acerto, até quando é referida a semelhança entre as capas dos dois discos.
O grande desafio que se coloca é descobrir não aquilo que junta mas o que de algum modo separa XX e Coexist. Na minha opinião, XX era um registo que valorizava as guitarras, a voz e as batidas de forma heterogénea e pontual. Agora, Coexist consegue ir um pouco mais além; Mantendo-se o minimalismo intimista da estreia na dream pop de Angels (uma canção que fala da dicotomia entre amor e separação) e na eletrónica quase dançante de Reunion, tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes ainda são parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra do trio britânico, mas a diferença está na maneira como exploram essa unidade e nas nuances sonoras que interligam as canções. No fundo, a receita é exatamente a mesma, mas a sonoridade foi renovada, tendo cabido ao baterista e produtor Jamie Smith assumir a linha da frente nessa tarefa, nomeadamente quando acerta nas batidas hipnóticas que servem de base para as vozes de Romy e Oliver. Todos estes acertos encontram o seu apogeu no tom nebuloso e na sonoridade sintética de Missing, para mim a melhor música do disco e uma das canções do ano.
Mesmo que não se ouçam versos fáceis e sons característicos como os que definiam VCR e principalmente Crystalised e isso crie um sentimento de ausência na primeira audição de Coexist, à medida que nos afundamos no disco melhor percebemos que o acerto iniciado há três anos ainda vigora. O trio mantém a essência da estreia e encontra uma variedade de novas possibilidades sonoras, passando assim, com distinção, na prova do difícil segundo álbum. Coexist instiga, hipnotiza e emociona. Espero que aprecies a sugestão...
01. Angels
02. Chained
03. Fiction
04. Try
05. Reunion
06. Sunset
07. Missing
08. Tides
09. Unfold
10. Swept Away
11. Our Song
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