The Tallest Man On Heart - There's No Leaving Now

Kristian Matsson é a figura sueca por trás do pseudónimo The Tallest Man On Earth e depois de Shallow Grave (2008) e The Wild Hunt (2010), acaba de lançar Theres No Leaving Now, através da Ded Oceans, tal como anunciei por cá anteriormente. Kristian possui o dom raro de transformar histórias particulares e melancolias próprias em música acessível a todos. Em cada verso que ele escreve existe sempre um significado maior e os sentimentos e dores expressas podem ser repartidas com qualquer um de nós. E esta permissa está sempre bem latente em cada um dos seus lançamentos discográficos; É sempre audível o desejo deste cantor e compositor, The Tallest Man On Earth, estabelecer uma forte vontade de aproximação, como se cantasse diretamente para nós, de forma verdadeiramente confessional.



Menos caseiro e melhor produzido que os anteriores álbuns, em There’s No Leaving Now as melancolias afloram de uma forma muito mais honesta e ao mesmo tempo comercial. Quer seja através da country ou de outros referenciais sonoros testados por figuras tão proeminentes como um Bob Dylan, nestas dez canções o cantor apodera-se de sentimentos tão universais como o abandono, a dor e a solidão, para criar quarenta minutos de um clima intenso e uma verdadeira espiral melancólica.


Ao mesmo tempo que não renega os formatos e as sonoridades que caracterizaram os dois discos anteriores, sempre amargo, o cantor parte em busca de novas experiências, percepções e histórias que aconteceram ao seu redor, para atingir com precisão o lado mais sensível de cada um de nós, sem apelo nem agravo. Logo na abertura, ao som de To Just Grow Away, que lembra as primeiras canções de Leonard Cohen, Matsson cria metáforas sobre o fluxo dos rios e sobre a necessidade de crescer e mudar, uma referência implícita em outros momentos deste There's No Leaving Now e um sintoma presente não apenas na poesia plasmada no disco, mas também na própria instrumentalidade, o que engrandece imenso a condução do disco. Nesta tal instrumentalidade, The Tallest Man On Earth mantém-se mais uma vez afastado da percussão, algo que amplia o toque intimista do álbum. Além disso permite que os pianos tenham uma grande participação, elemento explorado de forma inteligente na canção título e em doses menores nas restantes. A tal tónica mais comercial fica assegurada nas composições 1904 e Wind And Walls, onde Kristian demonstra ter noção dos seus limites; Cresce, arrisca um pouco, mas fica longe de alcançar uma sonoridade exagerada ou que rompa com os limites do que tem composto nesta meia década. Essa opção ponderada faz deste Theres No Leaving Now uma bela obra discográfica. Espero que aprecies a sugestão...


 



The Tallest Man On Earth - There's No Leaving Now


01. To Just Grow Away
02. Revelation Blues
03. Leading Me Now
04. 1904
05. Bright Lanterns
06. There’s No Leaving Now
07. Wind And Walls
08. Little Brother
09. Criminals
10. On Every Page




 

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