Billy Corgan não desiste e há que dar mérito, antes de mais, à sua persistência, não só no projeto The Smashing Pumpkins, como na sonoridade das canções que fazem parte do alinhamento dos últimos álbuns desta banda, independentemente dos músicos que a compôem. Oceania, disco lançado no passado dia pela EMI, é mais um capítulo desta saga que se tornou penosa depois de Adore e Machina e da saída da banda de James Iha, quanto a mim um elemento fulcral na extraordinária sonoridade que compôs Siamese Dream e Mellon Collie and the Infinite Sadness, dois discos que são para mim uma referência incontornável da música que ouvi apaixonadamente na década de noventa.
Ainda me recordo do teor emocionado que tomou conta de boa parte dos textos que exaltaram o retorno dos The Smashing Pumpkins em 2005. Depois de uma nada inteligente aventura a solo, que aproximou o músico de referências eletrónicas e do fiasco Zwan, Corgan estava de volta, acompanhado pelo baterista Jimmy Chamberlain e a apregoar aos quatro ventos uma mente cheia de criatividade. Zeitgeist chega em julho de 2007 e divide opiniões, havendo ainda quem ache possível que Billy consiga prendar-nos com algo de extraordinário, percepção que o músico de Illinois tratou de contrariar com o passar dos últimos anos e extinguir por completo com a chegada deste Oceania.
A sonoridade de Oceania pouco se altera relativamente ao que foi testado nos últimos três anos com o imenso e incompleto Teargarden by Kaleidyscope, disco inspirado no universo das cartas do tarot e com quarenta e quatro canções. O novo disco aponta ao rock progressivo, ao pós punk e ao heavy metal, padrões instrumentais e líricos estabelecidos há mais de quinze anos no clássico Mellon Collie and the Infinite Sadness e que há décadas acompanham o grupo, tentando, ao mesmo tempo, encaixar panorama musical atual. Parece que Crogan pretende começar do zero e atrair ouvintes que desconhecem a sua obra prévia, até porque algumas canções tresandam a versões de antigos sucessos, nmeadamente a reformulação de Beautiful em Pinwheels, passando pela transformação acelerada do sucesso Rocket em The Chimera.
Na mente de Corgan tudo isto deve revelar-se sedutor, explosivo e envolvente, mas torna-se um pouco penoso assitir a este afundar numa instrumentalização que pouco ou nada remete para os bons momentos alcançados por ele na década de noventa. Comparar Oceania com Mellon Collie and the Infinite Sadness, Gish e Siamese Dream é um erro absurdo e este álbum é a mais sincera constatação de que o músico precisa de deixar o mundo imaginário em que vive e perceber que, tendo ainda muito para dar ao rock, terá de o fazer noutros moldes e com outras fórmulas sonoras. Oceania só comprova que alguns artistas e figuras típicas da década de noventa nunca deveriam ter saído de lá. Espero que aprecies a sugestão...
De facto, também já ouvi o álbum e partilho da tua opinião. O Billy tinha dito que esta era a última tentativa de ser bem sucedido com a banda, mas não me parece que o tenha sido...
ResponderEliminarEu não posso concordar totalmente com a opinião acerca do álbum Oceania ou do trabalho que o Sr. Billy Corgan tem tentado fazer pelos The Smashing Pumpkins como pelo som alternativo.
ResponderEliminarO álbum Oceania, não é de facto um Siamise Dream ou a obra-prima Mellon Collie and the Infinite Sadness e penso que a ideia não seria essa, mas criar algo diferente mas que conseguisse unir os fans e trazer ainda mais.
A obra não deixa de ser um bom trabalho e é de realçar o esforço que o homem tem na sua luta pela música.
Neste momento Billy Corgan é o único na banda, não por vontade própria mas porque o deixaram só, e por isso é criticado. Na altura que colocou fim ao The Smashing Pumpkins foi muito criticado e ninguém percebeu porquê, agora é criticado por voltar e fazer música com o mesmo nome, e eu pergunto porquê. Se está a criar musica, é óbvio que o tempo é diferente, tudo mudou, agora estamos na era IPODS e afins, na qual só escolhemos uma musica de cada álbum para ouvir e o resto deita-se fora. Nos anos 90, nós eramos praticamente obrigados a ouvir toda a velha k7 e isso fazia com que nós conseguíssemos ter uma opinião mais formada acerca de cada álbum, acho que o grande problema das bandas de 90 e das futuras bandas é mesmo esse, agora a musica é descartável e existem bandas a surgir todos os dias e a acabar também e isso é que eu não aceito, bandas que fazem um álbum, têm 2 ou 3 singles e depois nunca mais se ouve falar delas.
Faz-me confusão o porquê de tantas críticas aos The Smashing Pumpkins e ao Billy Corgan, porque o som está lám as ideias estão e o criador também, sim, porque o Sr. Billy Corgan sempre foi o mentor da banda, também James Ilha o ajudava muito, mas o próprio quis parar. Em relação aos projectos a solo, não eram os melhores mas também não eram as piores coisas do mundo como nós podemos ver por ai todos os dias. Eu estive tanto no concerto dos Zwan no Coliseu e no projecto mais a solo do Billy e os concertos foram bastante bons, devo dizer que no dos Zwan até foi um bom concerto com a casa praticamente cheia.
Para finalizar, gosto do álbum Oceania, tem boas malhas como também umas um pouco mais calmas como caracteriza os The Smashing Pumpkins , de realçar a Quasar, Pale Horse e Oceania.
Obrigado pelo teu comentário Emanuel. subscrevo algumas partes do mesmo e confesso que o meu desapontamento deve-se à paixão que nutri pelos the smashing Pumpkins nos seus tempos aúreos e por me ter sabio tão a pouco aquilo que produziram na altura. E este "sabido a pouco" deve-se exatamente ao facto de eles terem potencial para terem feito mais tendo em conta auqela fórmula. Sabemos que outros fatores externos à música (ou não), não deixaram que a banda tivesse um percurso normal e, por isso, Billy acabou por ficar só.
ResponderEliminarTambém admiro o esforço dele em continuar, no entanto, o meu comentário acerca do disco teve em conta, acima de tudo, a forma como ele me soou e aí, já se mete pelo meio o gosto pessoal de cada um. E ainda bem que, dentro desse parâmetro, não gostamos todos do mesmo, raramente algo soa igual para duas pessoas e a mesma canção pode provocar diferentes sensações nos ouvintes... Abraço e espero que apareças por cá mais vezes! :)
Hey. Sem duvida que os gostos não se discutem, e o Oceania é um album que não se ouve às primeiras assim como o Zeitgeist, mas este ultimo está mais bem produzido e com melhores arranjos. Ao ouvir mais e vais ver que começas a gostar, claro que falta aquela faisca e também te confesso que vai ser o ultimo álbum que ele vai lançar e penso que depois acaba com a banda e se calhar deixa mesmo a musica, vamos ver o que acontece.
ResponderEliminarEspero bem que ele continue a fazer música... Abraço!
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