De acordo com a própria banda e o lendário Jason Pierce, é algures entre os irmãos Wilson (Beach Boys), Chuck Berry e o músico de jazz Peter Peter Brötzmann que está Sweet Heart Sweet Light, o novo disco dos Spiritualized, lançado no mercado no passado dia dezasseis de abril pela Domino Records.
Sweet Heart, Sweet Light confirma então o estilo, o método e a obsessão típicas de Jason Pierce que afirmou recentemente que gravar um disco é, para ele, a coisa mais importante do seu mundo e que reconhece ser obcecado com a sua música e não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição.
E a beleza utópica das composições dos Spiritualized não falta neste álbum, assim como as belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos. Sweet Heart Sweet Light esbanja todo o esmero e a paciência de Pierce em acertar os mínimos detalhes de um disco. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se o músico projetasse inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de psicadelia, rock progressivo, soul e gospel.
O som espacial, experimental, psicodélico, barulhento e melódico que a banda criou em Ladies And Gentleman We Are Floating In Space (1997), ainda faz deste disco o mais forte e marcante da carreira da banda. E alguns anos depois, em 2001, Let it Come Down, acrescentou mais texturas e belíssimas faixas à bagagem, porém, num tom menos experimental. Agora, em 2012, os Spiritualized apresentam o álbum que daqui a alguns anos tem tudo para ser o clássico da banda na segunda década do século XXI.
Se Bobby Gillespie (Primal Scream), Jarvis Cocker (Pulp) e outros artistas contremporâneos de Jason parecem ter perdido o brilho, ele não demonstra cansaço ou falta de inspiração. Perto de completar quarenta e sete anos, dos quais pelo menos trinta são dedicados à música, ele consegue com este novo disco mergulhar num universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações e soa tão poderoso, jovial e inventivo como soava há duas décadas. Se o Huh? que ilustra a capa do disco pergunta até onde vai o trabalho de Pierce, no final do álbum chegamos à óbvia conclusão que, para essa questão, não existem limites.
Não é habitual fazê-lo, mas quero destacar a notável curta metragem que ilustra Hey Jane, com realização de A.G. Rojas, uma fábula familiar, crua e desesperada, para ficar, desde já, na lista dos melhores vídeos musicais de 2012. Espero que aprecies a sugestão...
01. Huh? (intro)
02. Hey Jane
03. Little Girl
04. Get What You Deserve
05. Too Late
06. Headin’ For The Top Now
07. Freedom
08. I Am What I Am
09. Mary
10. Life Is A Problem
11. So Long You Pretty Thing
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