Sou sempre relativamente cético quando descubro e começo a ouvir discos feitos por músicos que fazem parte de bandas de diferentes quadrantes musicais e que resolvem juntar-se em projetos alternativos, paralelos ou o que lhes queiram chamar. Os The Moth And The Mirror obedecem a este critério em termos de formação, mas dou a mão à palmatória quando afirmo convictamente que Honestly, This World foi um dos discos mais interessantes que ouvi nos últimos dias.
Mas antes de falar do disco, vamos à formação. Estes The Moth And The Mirror são constituidos por alguns dos melhores músicos escoceses da atualidade; Refiro-me a Stacey Sievwright (The Reindeer Section, Arab Strap) na voz e guitarra, Gordon Skene (Frightened Rabbit) também na voz e guitarra, Louis Abbott (Admiral Fallow, Song of Return), igualmente guitarra e voz, Kevin McCarvel no baixo, Iain Sandilands na percussão e Peter Murch na bateria. A banda formou-se quando Stacey apresentou Ian aos outros músicos, já com o intuito de enveredar por um projeto paralelo. Começaram por abrir para concertos dos Snow Patrol, Band of Horses, Frightened Rabbit e finalmente editaram este Honestly, This World, o disco de estreia.
O disco surpreendeu-me pelos mais variados aspetos, não sendo fácil descrever com exatidão o seu conteúdo. Seja como for, saltou-me logo ao ouvido um fio condutor sonoro que procurava o equilíbrio entre uma acústica experimental e climática e um ambiente post punk. Logo a abrir, Everyone I Know assenta nesta abordagem devido ao delicado contraste entre um baixo vibrante a acompanhar a percussão e uma guitarra acústica, mas carregada com tons graves e fortes. Tanto nesta canção de abertura com em outras faixas a voz de Stacey lembra bastante o desempenho vocal de Beth Gibbons e o cuidado colocado na produção por Tony Doogan, sobressaiu os pontos fortes dela, das músicas, de cada músico e assim da própria química do grupo. Outro bom exemplo desta química é a esquizofrénica Boxes, uma canção com pouco mais de seis minutos e onde um início suave acaba por contrastar, lá mais para o meio, com a pujança instrumental colocada por todos os intervenientes. Fire é um belo e brilhante diamante pop, com as responsabilidades deste brilho intenso divididas pelas vozes e guitarras da dupla Sievwright e Skene. Germany, a faixa mais potente do álbum e primeiro single, tem um refrão que a maioria das bandas indie daria o braço direito para ter escrito. Quase no fim, Closing Doors mostra o lado mais suave dos The Moth And The Mirror, dando-nos uma enorme sensação de conforto e nostalgia à medida que se aproxima o epílogo.
As primeiras impressões contam muito. E numa época em que a música é tão facilmente acessível e o tempo para ouvir tudo o que poderá importar é escasso, é muito bom para mim que um álbum tenha este impacto imediato, porque às vezes separar o trigo do joio e colocar num canto especial o que realmente importa torna-se complexo. Álbum do mês para a publicação The Skinny, Honestly, This World conquistou-me pelos sons atmosféricos, algumas pinceladas de psicadelismo e devido aos ecos cavernosos, trombetas, pianos e buzinas, sempre em atrito com as guitarras, que criaram uma atmosfera musical selvagem, exuberante e dinâmica, que fala de melancolia e alegria ao mesmo tempo, provando ser apropriado catalogar de impressionante a estreia destes The Moth and The Mirror nos discos. Espero que aprecies a sugestão...
01. Everyone I Know
02. Soft Insides
03. Fire
04. Boxes
05. Beautiful Creature
06. Honestly, This World
07. Hope Is An Anchor
08. Germany
09. Closing Doors
10. Oceans And Waves
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