Os Wilco são uma banda de rock alternativo liderada pelo carismático Jeff Tweedy, natural de Chicago, no Illinois. Formaram-se em 1994 tendo como ponto de partida a banda de country alternativo Uncle Tupelo e acabam de lançar The Whole Love, o oitavo disco de originais, através da dBpm Records. A música do grupo teve como inspiração uma grande variedade de artistas e estilos, incluindo Bill Fay e os Television e já se tornou influência para algumas bandas de rock alternativo.
O clichet apaixonado que encarna o título do novo álbum dos Wilco pode passar despercebido, até porque é bastante usual falar-se da paixão e das suas travessuras no mundo da música. No entanto, este disco não fala de paixão mas de amor, uma temática bastante usual nos álbuns dos Wilco. Aqui o trato sobre o amor não é leve e sublime como foi em Sky Blue Sky, ou imerso nos psicoativos sentimentais de Yankee Hotel Foxtrot. The Whole Love não tem uma caricatura definida e acaba por agregar todas as referências internas presentes na discografia da banda. Desde logo começa com a ruidosa mas fantástica Art of Almost, de longe a canção mais barulhenta e intensa do álbum. Fazendo jus ao título, é uma canção quase experimental, quase pop, quase barulhenta e quase melódica; São sete minutos que se sustentam num arranjo de cordas alto e um riff de guitarra bastante elétrico, a fazer lembrar o que fizeram no A Ghost Is Born com At Least That's What You Said. A alegre I Might vem logo a seguir e põe de lado alguma confusão mental para tentar organizar as coisas. Escolhida como o primeiro single, vale pelos xilofones alegres e que enxotam a nuvem deixada pela primeira música.
A leveza continua nas quatro canções seguintes até Born Alone, num intervalo que inclui Sunloathe, Dawned on Me e Black Moon. Neste período parece que algo fica perdido entre as canções e sente-se um amargo de boca devido a alguma palidez sonora destas músicas. Born Alone lá tenta de novo engatar o ritmo, quer na questão das batidas por minuto, como no entusiasmo lírico. Sadness Is My Luxury destaca-se pela frase genial que a sustenta, I was born to die alone, até por não haver propriamente uma atmosfera depressiva na canção.
Para o final, Capitol City, Rising Red Lung e Whole Love apresentam melodias amáveis e cordas tocadas com alguma lentidão; são músicas que ficariam bem como lados B de um single, mas são um pouco coadjuvantes neste disco. No entanto o álbum termina muito bem com One Sunday Morning (Song for Jane Smiley's Boyfriend), uma música perfeita para se ouvir num dia de sol ali, no exato momento em que começa o nosso fim de semana e ao conduzirmos para casa começamos a sonhar. As notas parecem sinónimos de tranquilidade, guiam os efeitos ao fundo da música e acompanham o piano sem pressa.
Terminar assim dá a sensação que The Whole Love é melhor do que realmente é. O disco até flui bem por ter um conjunto de belíssimas canções, mas esbarra em alguns exageros. Soa um pouco vago, etéreo, como se fracassasse na tentativa de dizer alguma coisa nova. É um disco que balbucia, que ameaça, que oferece camadas sofisticadas de rascunhos, que chega quase lá e que fica nisso, infelizmente. Seja como for, The Whole Love que supostamente deveria ser, de acordo com Jeff, o disco mais comercial dos Wilco, algo difícil quando abre com Art Of Almost, de quase onze minutos de duração, e se encerra com One Sunday Morning (Song For Jane Smiley’s Boyfriend), de doze, transporta um conjunto de canções que mantêm firme o traço de honestidade das composições da banda. Quem esperava dos Wilco algo arrebatador ficará frustrado e quem, como eu, não tinha expectativas, encontrará em The Whole Love uma boa companhia para momentos agradáveis. Sem compromisso, é claro.
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