Apesar de só terem lançado Strange House, o disco de estreia, em 2007, são poucas as bandas britânicas que surgiram no primeiro decénio do século vinte e um e que conseguem atingir um nível tão elevado de maturidade e reconhecimento como os The Horrors de Faris Badwan, Joshua Hayward, Tom Cowan, Rhys Webb e Joseph Spurgeon. Nessa altura, a banda foi olhada de soslaio e com receio pela crítica dita especializada, devido ao visual dos seus intergrantes e a excentricidade lírica das canções.
Mas em 2009, logo nas primeiras harmonias de Mirror's Image a canção de abertura de Primary Colours, o quinteto mostrava que não pretendiam apenas ser mais uma banda propagadora do garage rock ou do pós-punk britânico dos anos 80, mas indivíduos donos de uma sonoridade própria e com um som adulto e jovial. Com efeito, sobreviveram à famigerada síndrome do segundo disco e revelaram-se como uma das mais importantes do cenário britânico, figurando fácil entre os maiores lançamentos daquele ano.
Se já houve alguma apreensão quando se deu a mudança de agulha sonora entre o primeiro e o segundo disco, ela foi ainda maior à medida que os rumores acerca do terceiro disco foram vindo à tona e a banda viu-se cercada de inúmeros olhares e ouvidos cuidadosos em busca de um qualquer mínimo deslize. Talvez também para conseguir manter algum secretismo, os The Horrors optaram então por serem eles próprio a produzir Skying, um disco com já alguns meses, mas que só agora consegui ouvir com atenção.
Uma audição prévia do álbum, comprova imediatamente que a banda abandonou de vez o uso de faixas mais curtas, despojadas ou que de alguma forma remetam para um resultado anárquico e acelerado, tal como aconteceu em Strange House, em 2007. Skying é um disco grande, com quase uma hora de duração e um ampliado uso de faixas volumosas que ultrapassam os sete minutos e viabilizam a condução de um som mais denso, atmosférico e muito mais sujo. Esta orientação sonora encontra o seu principal sustento nas guitarras de Joshua e na bateria de Joseph, instrumentos que se entrelaçam na construção das melhores faixas do disco. Delas, destaco a poderosa Dive In, música onde a banda experimenta uma sonoridade próxima da psicadelia e o single Still Life, faixa que mais se aproxima dos anteriores trabalhos da banda, mas que mantém a densidade caraterística do disco. Oceans Burninga também me chamou a atenção porque poderá abrir possibilidades para que a banda reveja e reinvente o seu som futuramente, atravessando terrenos experimentais, etéreos e com alguma dose de eletrónica.
Em suma, este Skying é um excelente disco, dos melhores que em 2011 sairam do território britânico, mas poderá ser ainda apenas a base de algo ainda maior que esta banda inglesa venha a desenvolver e, mais uma vez, os The Horrors conseguiram deixar água na boca quanto ao seu futuro. É que se há bandas que atestam a sua maturidade pela capacidade que têm em encontrar a sua sonoridade típica e manter um alto nível de excelência ou, no limite, regularidade nos seusclançamentos tendo em conta o campo sonoro que auto delimitaram, os The Horrors encaravam a sua maturidade na capacidade constante que demonstram de mutar a sua música, fazendo deles talvez hoje o maior grupo inglês em atuação.
Oi,
ResponderEliminarGostei. Tens o atalho para descarregar em baixo.
Gd abraço