Apresento os Cults...

Formados em 2010 na Universidade de Nova Iorque, os Cults são uma dupla formada por Brian Oblivion (nome de um personagem do filme Videodrome, de David Cronenberg) e Madeline Follin. São uma banda nova que todos deveriam ouvir o quanto antes e que a Gorilla vs Bear e a Pitchfork já citam com insistência. Foram igualmente um dos meus destaques ontem nos lançamentos da semana. Os dois, ambos com pouco mais de 20 anos, são da Califórnia e foram estudar cinema para a big apple; Começaram por editar um EP homónimo no final de 2010, no portal bandcamp, com três músicas; Entretanto foram adicionadas mais duas no portal quando o download deixou de ser gratuito. O EP explodiu com a força de um disco inteiro e abriu caminho para um sucesso espontâneo, consolidado no passado mês de maio quando lançaram o longa duração de estreia, também homónimo, através da gigante Columbia, disco esse que já ouvi.



A sonoridade dos Cults tem uma forte componente nostálgica e que agrega ruídos, tiques e melodias de várias décadas. Da música pop dos anos 60 e 80, do rock lo fi da década de 1990, passando pelo experimentalismo pop dos anos 2000, tudo funciona como um grande pano de fundo do trabalho do duo. A dupla personalidade também caracteriza os Cults, inscrita num estado sentimental indeciso, ora leve, ora devastado e bastante evidente, nomeadamente quando misturam o som sessentista com a dream pop da atualidade. A participação do engenheiro de som Shane Stonebeck (M.I.A., Vampire Weekend, Sleigh Bells), foi essencial para esta variedade de influências e para uma junção o mais harmoniosa possível de todas elas.


O primeiro grande destaque do disco é, sem dúvida, Go Outside; Para mim é a melhor canção do álbum e não será por acaso o seu primeiro single. É uma composição sustentada numa pop agridoce, mas que também contrasta com a sensação de leveza veraneante dos restantes temas do grupo. Uma caraterística linear a todos eles é o efeito abafado em cima da voz, que fica mais reclusa com a introdução dos instrumentos, com exceção de Rave On, cujo refrão é aparentemente cantado por uma multidão. Mas a batida pop e aditiva ressurge em Bumper e ajudada pela guitarra em Never Saw The Point. Estranhamente, a mesma introdução de Go Outside reaparece em Oh My God e Walk At Night; Apesar de aqui já não se ouvir o xilofone, a semelhança é demasiado notória.


Ao longo do disco a voz de Madeline vai sendo abastecida de arranjos de piano e xilofone e a sensação deixada por esses acordes e a voz dela faz-me imaginar um encontro entre My Bloody Valentine, The Cardigans e Best Coast. E nos momentos de maior experimentação, Oblivion e Follin soam aos Beach House, embora menos denso, mas mais pop e colorido. Most Wanted é um belo exemplo disso, uma faixa que se fosse carregada por abafadas doses de teclados e uma bateria opaca poderia facilmente ser encontrada nos já clássicos Devotion (2008) ou Teen Dream (2010).
Mesmo que existam alguns tiques que os puxem para a surf music, à medida que o álbum se desenvolve ampliam-se as perceções de uma instrumentação muito mais urbana; A canção Oh My God, que já citei acima, é um puro exemplar da pop oitentista recheado de doses expressivas de teclados e a delicada You Know What I Mean tem alguns toques mais sombrios, carregados de romantismo e um instrumental repleto de eco e sons que nos leva de volta aos anos 60. Esta faixa vem carregada por uma letra que não é mais do que uma enorme declaração de amor, que em conjunto com a sua condução instrumental gera uma emoção sincera e um provável tónico para as noites de solidão.


Resumindo, adocicado e amargo, o rock dos Cults compila sentimentos adolescentes de ternura e aflição, em canções feitas por cabecinhas juvenis que ainda estão a aprender a conviver com dias bons e maus e sons empoeirados que vão do dançante ao comovente. Espero que aprecies a sugestão...



1. Abducted
2. Go Out­side
3. You Know What I Mean
4. Most Wanted
5. Walk at Night
6. Never Heal Myself
7. Oh My God
8. Never Saw the Point
9. Bad Things
10. Bumper
11. Rave On

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