Ultimamente tenho andado a ouvir um álbum concetual sobre a vida de um personagem fictício chamado Joey Rogers, um adolescente anti herói que em 2082 se vê envolvido numa luta contra um super computador que tomou conta da indústria musical. Depois do EP de estreia de uma banda chamada Games, intitulado That We Can Play, lançado no ano passado e carregado do influências dos anos 80, este duo viu-se obrigado a alterar o nome para Ford & Lopatin e lançaram no passado dia sete de Junho, através da Software Records, o álbum de estreia Channel Pressure, misturado por Prefuse 73 e com a ajuda de Al Carlson.

Os Ford & Lopatin são Joel Ford e Daniel Lopatin. Amigos de infância e obcecados pela chamada space disco, pela techno berlinense e pelo jazz de fusão dos anos oitenta, têm em Channel Pressure um disco baseado na narrativa futurista acima descrita, carregado de sintetizadores analógicos, drum machines, ritmos densos e batidas cósmicas.
A sonoridade do disco remeteu-me de imediato para momentos synth, sejam eles as bandas de Krautrock dos anos oitenta, ou o som de artistas como Jan Hammer. Assim, as principais referências estão indubitavelmente no cruzamento da melhor synth pop branca com o funk de Cameo ou Prince e a principal estratégia passa por reunir texturas e recompor o som em placas, de forma a desafiar, com a ajuda do sintetizador, a lógica original de cada instrumento.
Por detrás de uma espécie de arranha céus de sons áudio, a melhor analogia que consegui elaborar durante a audição, há camadas, blocos de construção e estruturas sonoras, que muitas vezes só se revelam quando o ouvinte está disposto a ir além do superficial. Por isso, Channel Pressure é nitidamente um disco para ouvir com headphones, onde cada gaguejar, dobrar e deformar de sons podem ser redescobertos, audição após audição. Por exemplo, em Break Inside a voz parece que sangra dentro do sintetizador, a fazer lembrar James Blake, como se fosse impossível comunicar através da música, mas mesmo assim o cantor não desistisse de o tentar fazer. E Emergency Room, o bastante recomendável primeiro single e que já conta com remisturas de Gavin Russom e The Bug, Too Much Midi e The Voices, são grandes canções pop, que merecem toda a atenção de quem é ávido por descobrir novas sonoridades e, ao mesmo tempo, um saudosista da melhor pop dos anos oitenta. Espero que aprecies a sugestão...

02 Channel Pressure
03 Emergency Room
04 Rock Center Paronia
05 Too Much MIDI (Please Forgive Me)
06 New Planet
07 The Voices
08 Joey Rogers
09 Dead Jammer
10 Break Inside
11 I Surrender
12 Green Fields
13 World Of Regret
14 G's Dream
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