Adriana Calcanhoto - O Micróbio do Samba


 


Como boa brasileira que é, Adriana Calcanhoto não renega a salutar enzima que todos os nativos das terras de Vera Cruz carregam no seu ADN e apesar de sempre ter afirmado não querer ser sambista, está de volta com um novo disco onde o micróbio que o intoxica é esse mesmo samba.


Um dia, ao ler um texto de um autor brasileiro chamado Lupicínio e de onde tirou o título deste novo álbum, Adriana percebeu que toda a música que fazia vinha do samba, assim como a sua perceção do ambiente sonoro do mundo e dos ruídos, ou seja, nunca tendo feito um disco de samba, percebeu que este género musical esteve sempre lá. Assim e como a autora até já vinha a compor sambas há alguns anos, acabou por ter o impulso de os juntar, ver o que valiam, acabando por criar assim um disco singular, com doze sambas escritos por ela.


Em O Micróbio do Samba, lançado no passado dia 21 de março pela Arthouse/Valentim de Carvalho Multimédia em Portugal e pela Minha Música/Sony no Brasil, Adriana assina um disco simples, mas inspirado e fresco. E sem contrariar as bases musicais do samba criou um conjunto de histórias sobre mulheres e um homem, que ela encarna nas várias músicas, porque eu, que já lidei com o samba, sei que na raíz deste género musical reside quase sempre uma espécie de teatro de personagens e histórias.


Adriana também se assume neste disco como multi-instrumentista, tocando violão, guitarra elétrica e outros instrumentos tão peculiares como uma bandeja de chá ou uma caixa de fósforos. Acompanham-na nesta aventura inusitada Domenico Lancellotti nos instrumentos de percussão e Alberto Continentino no contrabaixo. Pontualmente também aparecem Rodrigo Amarante na guitarra, Moreno Veloso a tocar com um prato e uma faca e Davi Morais na guitarra, cavaquinho e viola. Com este disco Adriana Calcanhoto dá um passo em frente na sua carreira como compositora popular e a canção brasileira encontrou mais uma compositora e letrista notável e sofisticada.


O samba fez durante alguns anos parte da minha vida. O Micróbio do Samba já mereceu a minha audição atenta e foi com enorme satisfação que me deixei surpreender por este excelente disco que recomendo vivamente a todos os que apreciam esta autora, este género musical e a música brasileira em geral.


As 12 canções serão apresentadas ao vivo em Portugal, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, a 6 e 7 de maio e na Casa da Música, no Porto, a 9 de maio.



Eu vivo a sorrir


Aquele plano para me esquecer


Pode se remoer


Mais perfumado


Beijo sem


Já reparo?


Vai saber?


Vem ver


Tão chic


Deixa, Gueixa


Você disse não lembrar


Tá na minha hora

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