Finalmente estreia hoje em Portugal o grande candidato à próxima edição dos Óscares, com doze nomeações para as estatuetas douradas. Refiro-me, como já perceberam, a The King's Speech (O Discurso do Rei).

Nem sempre partilho do entusiasmo que legitimamente envolve sempre o filme com mais nomeações para as estatuetas de Hollywood. Geralmente são filmes que impressionam pelo aparato visual, ou até pelo elenco e alguma inovação tecnológica mas, frequentemente, o argumento não é a sua mais-valia. E a minha paixão por cinema baseia-se, antes de todo e qualquer outro detalhe, nesse pressuposto fundamental... Para mim é mais importante um filme com uma boa história e um argumento bem escrito, sólido e que deixe algo cá dentro depois de o ver, do que propriamente os efeitos visuais, as técnicas cinematográficas, ou até o próprio elenco que o compõe.
O filme britânico The King's Speech, realizado por Tom Hooper e com as já referidas doze nomeações para os Óscares, prendeu a minha atenção porque a história interessa-me particularmente e o que já li dela deixou-me curioso. É um filme de época, baseado numa história verídica e que aborda um dos períodos mais conturbados da história mundial e que sempre me fascinou, o advento da segunda grande guerra. Também sinto curiosidade em vê-lo porque mistura dois dos meus géneros cinematográficos predilectos: o drama e a comédia.
O argumento relata a caminhada de um rei que se supera para um bem maior, através de um percurso humano feito de enorme preserverança e força de vontade, contado de forma simples e acessível a todo o público. É um compêndio de auto-estima, de alguém com um forte problema com o qual me identifico, mas que foi capaz de o resolver com ajuda e força de vontade, mostrando-nos que o ser humano é, por vezes, capaz de se superar.
Jorge VI chega ao trono num momento de aguda crise interna depois da abdicação do seu irmão e quando o mundo se encontra, repito, numa situação explosiva. Nessa altura Jorge VI já tinha desistido de lutar contra a gaguez que há muito o atormentava e o impedia de falar em público. A solução é encontrada pela sua esposa, Isabel, a rainha-mãe, que descobre um obscuro terapeuta da fala australiano, cujos métodos pouco ortodoxos irão contudo resultar. Este terapeuta acaba por se tornar num dos homens de maior confiança do rei. Em suma, é uma história universalista, porque se pode aplicar a todos nós.
O argumento de The King's Speech foi escrito por David Seidler e, segundo a crítica, a interpretação do já veterano Colin Flirth é fabulosa, o que lhe valeu a nomeação para o Óscar de Melhor Actor, um prémio que certamente não lhe irá escapar!
Geralmente as representações de deficiências físicas e mentais, ou problemas de comunicação e afins, são grandes desafios para os actores que, sendo superados, resultam em interpretações memoráveis. Tom Hanks em Forrest Gump, de Robert Zemeckis, é um exemplo destes que nunca mais esqueci, tendo-lhe valido justamente o Óscar de Melhor Actor. Com se recordam, a história contava o crescimento do jovem Gump, portador de uma deficiência mental, ao mesmo tempo que mostrava uma visão do desenvolvimento da sociedade americana nas últimas décadas. Com este filme Hanks vislumbrou o estrelato, tornando-se num dos actores mais solicitados dos últimos anos.
Mas em The King's Speech há que também salientar aquelas que deverão ser mais duas excelentes interpretações de Geoffrey Rush e Helena Bonham, também nomeados para os Óscares de Melhor Actor e Melhor Actriz Secundários.
Fica a sinopse e o trailer deste filme que supostamente nos eleva o espírito;
Após a morte de seu pai, o Rei George V, e da escandalosa abdicação do Rei Eduardo VIII, Bertie, que toda a sua vida sofreu de um debilitante problema de fala, é coroado Rei George VI de Inglaterra. Com o país à beira de uma guerra e a necessitar desesperadamente de um líder, a sua mulher, Elizabeth, futura Rainha-mãe, encaminha o marido para um excêntrico terapeuta da fala, Lionel Logue. Depois de um começo difícil, os dois homens iniciam uma terapia pouco ortodoxa e acabam por formar um vínculo inquebrável. Com a ajuda da sua família, do seu governo e de Winston Churchill, o Rei vai superar a gaguez e tornar-se numa inspiração para o povo.
Quero ver! :)
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