Em dia de Greve...

Em dia de greve, não vou tecer grandes considerações sobre ela. Concordo com esta forma de luta, já participei em greves mas, ao contrário desta, tinham reinvindicações mais concretas.  Os sindicatos são fundamentais para mediar os conflitos sociais e para assegurar o diálogo social, mas será que esta greve vai servir para mudar a realidade que temos? Ou será apenas uma válvula de escape do nosso natural descontentamento? No actual contexto, as alternativas preconizadas pelas centrais sindicais são, do meu ponto de vista, pouco claras e dificilmente servem os meus interesses e os da generalidade do povo português. Aquilo que o nosso país precisa é, como refere hoje, Santana Castillo no Público, regenerar o Portugal dos valores. É urgente remover os vendedores de fantasias; dizer basta aos que se apropriaram irresponsavelmente do Estado; despedir os que se serviram e abrir portas aos que queiram servir. Esta proposição não é romântica. É indispensável para devolver aos cidadãos a confiança no Estado.


O meu Benfica é que foi para a Terra Santa com um espírito grevista e o nosso treinador até estava a jogar em casa! Enfim... Uma vergonha.


Como não fiz greve e muito menos aqui, vou aproveitar este dia mais propício à reflexão social, para falar sobre dois temas que acho merecerem a minha divulgação e no fim partilhar um elogio, que me marcou imenso e me deu ânimo para continuar a alimentar Man On The Moon.


 



 


Começo por falar de uma notícia que já tem alguns dias, mas ainda não é tarde para a comentar. O Público, na sua edição on-line do passado dia 18, denunciou que, na Universidade de Évora, são usados cães saudáveis do canil municipal como cobaias pelos alunos do curso de Medicina Veterinária. Confere a notícia AQUI.


Penso não ser o único a achar que a evolução de um país também se vê pela forma como trata os seus animais. Este caso é chocante, ultrapassa, quanto a mim, os limites do respeito pela vida animal e acho que merece ser amplamente difundido para que situações como esta deixem de ocorrer. Nem um suposto avanço da medicina veterinária, ou treino específico dos seus futuros profissionais, a quem um dia poderemos dever as vidas dos nossos animais de estimação ou criação, justifica tais procedimentos. Arrancar órgãos a animais saudáveis, mesmo que já estejam condenados ao abate, é de uma crueldade extrema, mesmo que tenham sido sempre submetidos a anestesia geral e, depois da cirurgia, eutanasiados.


 



 


Outro assunto ainda na ordem do dia e sobre o qual quero opinar, é a Cimeira da Nato. Durante a mesma ouvi e li variadíssimas considerações acerca do evento e do papel da Nato no mundo actual. Não sou analista político ou militar, mas tenho algumas noções destes temas e de história mundial e que me permitem formular uma opinião, mesmo que modesta.


Não acho que a Nato seja uma organização terrorista, criminosa, dispensável e com propósitos e estratégias puramente belicistas, apenas para servir os interesses capitalistas da sociedade ocidental. Considero-a um garante da paz e estabilidade mundial e um instrumento de cooperação entre países e povos que partilham o mesmo espaço e têm interesses comuns, muitos com raízes milenares.


No que concerne à situação mundial actual, nomeadamente a intervenção da Nato no Afeganistão, ouvi slogans a pedir o fim imediato da mesma. Foi dito também, alto e bom som, que a presença desta organização nesse país era uma agressão selvagem ao seu povo! Sugiro então que a Nato saia rapidamente de lá, onde está enterrada há quase nove anos, se preocupe apenas com a segurança nas suas fronteiras e deixe o povo afegão decidir livremente (?) se quer ser governado por um regime Taliban, cujos líderes fundamentalistas lideram a maior organização terrorista e narcotraficante mundial. Deixemos em paz os férteis campos de tulipas desse país, que se fabrique em liberdade o ópio que depois vai entrar nas nossas fronteiras e, bem pior que tudo isso, deixe-se impôr a sharia ao povo afegão! Como sabemos, na sharia não há separação entre religião e direito sendo que, entre outras imposições à liberdade individual, as mulheres não podem frequentar o ensino e têm outras restrições impensáveis para qualquer uma que vive nos países da Nato. Esta prática mais radical do Islão que não faz a distinção entre vida religiosa e social, cobre não só os rituais religiosos e a administração da fé, mas também os mais variados aspectos do dia-a-dia, ou seja, estamos a falar de direitos que, pelos vistos, só quando convem é que são caros à nossa esquerda mais radical e a outros movimentos anarquistas que aproveitaram a cimeira para criticar ferozmente a presença da Nato nesse país. Onde a sharia é estabelecida, toda a liberdade individual é cruelmente sufocada; Qualquer leigo sabe-o.


Não acho que esta cimeira que decorreu em Lisboa no passado fim-de-semana tenha servido, como também li e ouvi, para fazer um favor aos nossos parceiros ditos mais poderosos, até porque temos deveres e compromissos a honrar. Somos um estado que felizmente, e com pena de algumas perspectivas mais leninistas que ainda persistem na nossa sociedade, não vive isolado do resto do mundo e apesar dos constrangimentos causados a todos aqueles que não tiveram direito à tolerância de ponto na capital, a cimeira foi importante para o país. Talvez por vivermos numa realidade social que respira um clima de relativa paz, segurança e tranquilidade, não se consegue ter uma perspectiva diferente, até porque este clima pacífico dá-nos a percepção natural que não precisamos da Nato; Mas não é essa a realidade e facilmente chegaremos a tal conclusão se não fecharmos os olhos perante o que se passa no resto do mundo e os novos perigos com que se debate o mundo ocidental!

Em suma, recuso-me a alinhar com quem apregoa que a Nato é um perigo para a segurança mundial! Não se deve ter a memória curta e esquecer que esta organização nasce em 1949, após uma Guerra que deixou a Europa no caos económico e social e, pior que isso, completamente dividida em dois blocos antagónicos, muito por acção de Estaline, um ditador tão louco e cruel como Hitler. A história tenta muitas vezes ilibar esta figura dos seus crimes porque, nesse conflito, mas só a partir de 1941, colocou a Rússia do lado certo da barricada, acabando por sobreviver ao jugo nazi devido à ajuda destas sociedades ocidentais. Depois virou-lhes costas, ainda na conferência de Ialta, poucos meses antes do fim da guerra e, logo no fim do conflito, quando submeteu todos os países libertados pelo exército vermelho ao braço protector do Kremlin. E este jugo, como todos também sabemos, só terminou em 1989 com a queda do Muro de Berlim.

No fundo, quem tiver alguma memória e interessar-se minimamente pela história da Europa contemporânea, facilmente concluirá que talvez se deva à Nato o facto de os nossos pais e avós terem sobrevivido à chamada Guerra Fria e o clima de relativa paz e segurança em que vivemos hoje! Foi através da dissuassão e do crescente investimento no poderio militar que isso se conseguiu? É verdade... Mas depois das fricções em que a Europa renasceu após a segunda grande Guerra e tendo em conta os dois blocos que se formaram, não restou, quanto a mim, outra alternativa.

 

 

Fotografei você no móvil

 

Para terminar, gostaria de partilhar com a autorização devida do autor, um email que foi enviado ontem por um amigo ao seu círculo de contactos, com o meu conhecimento e me deixou feliz. Falo do Tiago Garcia, que vive actualmente em Barcelona, onde trabalha e tira fotografias fantásticas com o seu móvil e que podem ser apreciadas AQUI.

Tenho períodos em que penso que ninguém lê Man On The Moon e que acho que coloco muitas propostas musicais, de leitura e de cinema às quais ninguém liga. Talvez esteja enganado mas, mais importante que sentir isso, é usufruir desta genuína e sentida demonstração de amizade! No que me for possível, será certamente retribuída... Grande abraço Tiago, estás sempre aqui! E um dia iremos lá...

 


Conheci o João em Faro, mas ele nem é de lá nem lá alguma vez viveu. Conhecemo-nos através de uma ideia/projecto/sonho dele e do qual fiz parte com muito gosto. A coisa chamava-se Takk Iceland 09, mais tarde Takk Iceland 10, actualmente está sem nome, mas seguramente mantém-se na pasta dos projectos por cumprir de alguns. Percebi de imediato três coisas acerca do João: é um apaixonado, a música move-o e gosta de partilhar.


 


No caso dele, a sua natureza leva-o diariamente a procurar tudo o que lhe possa soar a novo dentro do que ele já conhece. Falamos sobretudo de música, mas não só. Além disso, essa procura alarga-lhe horizontes por esse desconhecido infinito.


 


Para além do que se supõe que ele lá deve interiorizar, a sua procura e a sua - diria mesmo - necessidade de partilhar fazem com que nunca guarde só para si o que vai passando os seus filtros pessoais. Por vezes fá-lo de forma apenas informativa e por vezes deixa que os seus critérios pessoais sejam (ainda mais) evidentes.


 


Não deve haver dia em que o João não nos envia uma sugestão. Por vezes há condições para ir lá e dar un vistazo e por vezes pensa-se que lá vem o gajo outra vez… acontece-nos a todos, amigo. Hoje a sugestão é das boas. Foi também por uma sugestão dele sobre a mesma canção que comecei a gostar desta banda e isto já muito depois de meio mundo os venerar. Hoje fiquei ainda mais rendido aquela canção e ao que o génio detrás dela faz a cada vez que decide revolucionar a sua vida e a musica que dela resulta.


 


Para vocês e graças ao “esforço” de alguém que parece não querer crescer e, ao mesmo tempo, evoluir todos os dias, uma nova versão da canção que já faz parte do selectíssimo grupo das que assassino quando a hora até podia dar para a melancolia mas as rotações andam bem lá por cima das colinas e tudo o mais me rodeia nesta terra de Peter Pans: http://stipe07.blogs.sapo.pt/129013.html?view=90613#t90613

 

E aqui, a versão que mudou tudo entre mim e a banda: http://www.youtube.com/watch?v=Rq7tyhi_ChI .











Comentários

  1. Isto é q se chama deitar cá para fora!... Se eu tivesse mais tempo dir-te-ia mais q isto, mas, aqui vai: qt ao assunto NATO, e afirmando-me como apoiante da tua posição "mal necessário", só há uma coisa q impede q esse mal seja menor, q é a disparidade de poderio militar entre a Europa e os EUA. Enquanto assim for torna-se mais difícil de aceitar o tal mal necessário... principalmente sabendo q muitas das acções são efectuadas com enormes lucros para empresas privadas norte-americanas... mas depois falamos.

    Gd abraço Johnny

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  2. Ah, já me esquecia: o fabrico de droga, e conforme atestam as estatísticas de várias organizações, incluindo polícia, prossegue independentemente do combate à mesma, ou seja, o Afeganistão produziu, produz e produzirá ópio. Desse ópio aprox. 10% será capturado pelas autoridades. É assim há anos, e aplica-se a todas as substâncias ilícitas com mercado firmado (cocaína, heroína, haxixe,...).

    Como nota de rodapé: sabias que todo o traficante contabiliza em cada transporte de droga, perdas de exactamente 10 a 15% por apreensão... É a vida...

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