Apocalypse Now - 30 anos


 


A guerra do Vietname não tinha terminado há um ano sequer e o coração americano ainda estava ferido de uma guerra que tinha custado aos Estados Unidos mais de 60 mil mortos e centenas de milhares de veteranos estropiados, quando Francis Ford Coppola começou, em 1976, a rodagem daquele que é, para mim, o melhor filme de guerra de sempre, Apocalypse Now. Importa relembrar que em 2001 o filme foi alvo de uma edição melhorada, tendo sido acrescentadas algumas novas cenas, Apocalypse Now - Redux.


Coppola já tinha em sua posse o argumento, escrito por John Millius, adaptado da obra O Coração das Trevas, da autoria de Joseph Conrad e ele próprio não o queria realizar visto estar ocupado com as filmagens de O Padrinho II. Chegou a oferecer a realização a George Lucas, mas este recusou por estar absorvido com outro mito, Star Wars. Assim, decidiu ele próprio avançar com as filmagens, tendo o filme estreado em Agosto de 1979.


Três anos depois da estreia do filme, o mesmo obtém  a Palma de Ouro no Festival de Cannes.


A rodagem do filme decorreu nas Filipinas e ela própria valeu um filme, Heart of Darkness: A Filmmaker's Apocalypse, que contou a história de uma obra que parecia amaldiçoada, mas que acabou por se tornar numa das obras-primas do cinema contemporâneo. Poucos dias após o início das filmagens, o protagonista, Harvey Keitel, é despedido; o seu substituto, Martin Sheen, tem um ataque cardíaco poucos dias após chegar ao local das filmagens; uma vaga de tufões destruiu várias vezes alguns dos cenários do filme; Marlon Brando, fez questão de nunca ler o guião.


Além de Marlon Brando e Martin Sheen, o filme conta com outros actores conhecidos; Lawrence Fishburn, Harrisson Ford, Dennis Hopper, Albert Hall e Robert Duvall foram alguns.


Apocalypse Now relembra-nos o absurdo que é qualquer guerra e o absurdo que foi a guerra do Vietname em particular. A violência gratuita e a destruição patentes no filme, causaram um impacto enorme na opinião publica americana e mundial, aquando da estreia. Neste filme Coppola consegue colocar o espectador no cenário de guerra e fazer com que ele veja os seus horrores; fica bem exposto o sofrimento do soldado americano, o sentimento de que muitos jovens pereceram ali, sem motivo aparente, devido a uma guerra mal explicada e injustificada e mostra o sofrimento do povo Vietnamita, muitas vezes ridicularizado e que não viu os mais básicos e elementares direitos humanos, respeitados pelas forças armadas dos Estados Unidos, durante o conflito. É um filme cru e violento, que mostra o melhor e o pior da condição humana e como um cenário de guerra pode alterar pessoas e comportamentos. Acaba por ser, infelizmente, um filme ainda bastante actual!


Quem o viu certamente recorda-se de duas das cenas mais emblemáticas da história do cinema e que são sequenciais; o ataque de helicópteros Huey à praia vietcong, enquanto toca The Ride Of The Valkyries, do compositor Richard Wagner e o desembarque dos Huey na praia, ao mesmo tempo que a aldeia é bombardeada com napalm e Kilgore insiste que alguns dos seus homens façam surf nas ondas da praia.


O ataque à aldeia junto à praia, é uma cena em que banda-sonora e cena deixaram de poder ser indissociáveis. Quem ouvir The Ride Of The Valkyries, lembra-se automaticamente da cena; quem vir a cena, sem som, consegue escutar automaticamente dentro de si, a música de Wagner. Música e cena tornaram-se numa só!


Ambas as cenas foram filmadas só com 5 câmaras, teve de ser tudo filmado ao mesmo tempo enquanto os F-4 chegavam e largavam o napalm, o que deu origem a uma das sequências mais difíceis de montar na história do cinema!


Fica o ataque à praia vietcong...



E o desembarque, na versão Apocalipse Now - Redux, de 2001.


I Love The Smell Of Napalm In The Morning - Kilgore.


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