Fiz as pazes com Kurt Cobain


 


A morte de Kurt Cobain em 1994, marcou profundamente a minha entrada na maioridade e coincidiu com um período chave em que começava a alimentar a minha paixão pela música de forma intensa; começava a perceber que seria a principal forma de arte a estar comigo, lado a lado, durante a minha vida futura.


Na altura, por desconhecimento do contexto que levou aquele acto fatídico, não consegui compreender o porquê e fiquei chateado com Kurt; a nova sonoridade dos Nirvana, patente em "in Utero", tinha criado em mim enormes expectativas acerca do futuro musical desta banda.


"Automatic For The People" e ainda "Nevermind" eram dois discos ouvidos quase diariamente, acompanhados meses mais tarde por "Laid" dos James e "Mellon Collie And The Infinite Sadness", dos Smashing Pumpkins.


Recentemente foi editado um livro inédito que revela a face oculta de Kurt Cobain, "Cobain Unseen" de Charles R. Cross, destacado este mês na Blitz. Na mesma revista, o jornalista Mario Lopes relata os últimos instantes da vida de Kurt Cobain. Esse mesmo artigo termina da seguinte forma:


 


No momento em que se juntou a Jimi Hendrix, Janis Joplin ou Jim Morrison nesse trágico panteão das estrelas rock desaparecidas aos 27 anos, (Kurt) tinha a televisão ligada na MTV, em silêncio. Na aparelhagem o CD The Automatic For The People, álbum dos REM editado em 1992.


Meses antes, confessara que Michael Stipe era o único músico com quem desejava trabalhar. Este chegou a enviar-lhe um bilhete de avião para que se reunissem e arrancassem com a colaboração. Kurt nunca apanhou o voo. É que poderia ser uma forma de desaparecer lentamente. E Kurt Cobain tinha pressa.


Mário Lopes, Blitz


 


Quem me conhece, sabe que "The Automatic For The People" é o disco da minha vida, por razões óbvias e Michael Stipe e Kurt Cobain, aos quais se juntaram mais tarde Billy Corgan, Thom York e Damon Albarn, os meus grandes ídolos, do mundo da música e não só... Consigo ser suficientemente utópico e sonhador para imaginar estes tipos todos juntos num estúdio a criar qualquer coisa, apesar de já ter havido algumas colaborações entre eles, nomeadamente ao vivo.


Sinto um nó imenso na garganta só de imaginar que Kurt desferiu o gatilho ao som de "Man On The Moon"...


Em Monster, os REM prestam tributo a Kurt Cobain dedicando-lhe "Let Me In", uma faixa rude, com uma guitarra bem áspera e suja, que Kurt aprovaria certamente, se a pudesse ouvir.


Michael Stipe confessou há pouco meses que desde aquele fatídico dia 5 de Abril de 1994 nunca mais conseguiu ouvir um disco inteiro dos Nirvana. "The Automatic For The People" dificilmente voltará a ser ouvido por mim sem pensar que o instante final de Kurt foi mais pacífico do que muitos e eu supunha! A partir de agora, também já não será assim tão complicado para mim imaginar o que estaria ele a pensar... 14 anos depois, consegui finalmente fazer as pazes com Kurt; agora já sei que ele morreu da forma que eu mais gostaria de morrer um dia, excepto a bala e a heroína.


Fica "Let Me In" - REM, Monster


 



 


 

Comentários

  1. Sem dúvida uma visão mais bonita da sua morte do que a proposta por Gus Van Sant em 'Last Days'.

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  2. ESte fim-de-semana estive com o filme Gus Von Sant na mão para comprar....

    É sempre muit complicado compreendermos uma atitude destas... mas eu imagino mil e um motivos para o ter feito!!! A pressão é demasiada...

    Gostei do texto que colocaste do Mário Lopes "É que poderia ser uma forma de desaparecer lentamente. E Kurt Cobain tinha pressa"...

    BJOka

    P.S e parabéns pelo perdão... é sempre menos um peso no coração.

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  4. Concordo em numero genero e grau .Gus Van Sant exalto o lado negro e triste de Kurt ,num filme absolutamente cru ,que praticamente destroi a figura sensivel que ele era.Parabens pelo comentario.

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