Jaula de Metal

chegaste num cometa que atravessava o espaço

escuro, distante, inócuo e sem luz...

 

e ali estava eu...

junto à estrela da constelação do Deus maior

escondido numa cápsula cheia do tempo infinito

lá bem no alto, no cimo intenso e profundo

daquele céu imenso, longo e sempre denso

 

estava há muito lá, mergulhado nas minhas palavras ocas

perdido em pensamentos desprovidos de desejo

impregnado por uma enorme sede de paixão

sorrateiramente à procura de encontrar o meu tempo

 

ali, junto à lua... na sombra perdida daquele quarto

chegaste deslumbrante, com uma lufada de vento

e viste a minha jaula de metal corroída de solidão

devido ao tempo gasto na ausência de cor e emoção

 

encontraste-me ali, naquele mundo desconcertante

espaçado por ruas desprovidas de qualquer luz,

atravessadas por gigantes jardins sem flores

e sorrisos amarelos já esquecidos pelo tempo

 

mesmo assim, apesar da minha jaula corroída

construída na cápsula do tempo infinito

a gravitar no cimo intenso e profundo

daquele céu imenso, longo e sempre denso...

ficaste!

 

agora, estás onde habitam os meus sonhos

e devolveste-me um tempo vazio de todos os medos

 

olho de novo para o nosso amanhã sem hesitar

porque a tua existência prolongou o meu tempo de vida

e escureceu qualquer inconsequente tentativa vã

de voltar para os braços da loucura e da desgraça total

 

contigo aprendo e já sei o que é acreditar

contigo compreendo como é bom de novo sorrir

 

"jaula de metal"

02-07-08

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