Swapmeet - Mount Zero

Adelaide, na Austrália, é o poiso de uma das surpresas e novidades mais excitantes do universo sonoro indie e alternativo, que chegou â nossa redação em dois mil e vinte e seis. Falamos dos Swapmeet, um quarteto criado em dois mil e vinte e dois e composto pelos guitarristas e bateristas Maxwell Elphick e Jack Medlyn, pela vocalista e guitarrista Venus O’Broin e pelo baixista Joshua Doherty. Estrearam-se recentemente nos discos com Mount Zero, um extraordinário alinhamento de nove canções, que tem a chancela da Winspear Records, etiqueta sedeada em Los Angeles, na Califórnia.


Pic by David Milan Kelly

Os temas mundanos e corriqueiros, mas que nos atingem com precisão, porque dizem respeito a todos nós, são, quase sempre, infalíveis quando uma banda se quer mostrar ao mundo e fazer com que a sua música chegue ao maior número possível de ouvintes. É um conceito estilístico que raramente falha, se por trás dele estiver o essencial, um processo criativo único, qualitativamente elevado e apelativo e que tenha no seu adn algo de inédito e de genuíno, mesmo que sobreviva à sombra de géneros e influências que ficaram indelevelmente carimbados na história da música, nomeadamente a indie e a alternativa. Mount Zero, um disco com canções que descrevem uma simples ida ao caixote do lixo, que falam do aconchego de estar dentro de casa a sentir a chuva a bater no vidro da janela, ou de ajudar os pais nas tarefas caseiras, mas também com temas sobre a fragilidade do amor, empregos sem futuro e amizades que não correram bem, transporta consigo todos estes trunfos, em pouco mais de trinta minutos em que prospera um feliz cruzamento entre pop noise, garage, slowcore e shoegaze, tendo sempre como pano de fundo o clássico rock alternativo.

Assim, num processo criativo que terá, certamente, estado repleto de momentos prósperos de experimentação em estúdio, em que a insistência e o modus operandi tentativa vs erro, terá tido primazia, o registo navega entre dois polos que, parecendo opostos, claramente se complementam. Falo de canções como I Know!, um impulsivo e vigoroso instante de punk rock, com guitarras abrasivas e um baixo encorpado, ou Personal (Don't Take It), um solarengo instante sonoro intimista, feito de guitarras acústicas com um timbre metálico irrepreensível, adocicadas por um insinuante e curioso clarinete.

Pelo meio, o impactante efeito letárgico de Bonny, mais uma canção em que as cordas da viola ditam a sua lei, apesar de alguns efeitos eletrificados e do baixo manter a sua omnipresença, o rock radiofónico de Sand, que tem como trunfo maior o modo como o piano e as cordas se entrelaçam, quase sem se dar por isso e a forma harmoniosa como as vozes de Medlyn e O'Brion se complementam, o clima progressivo e psicadélico de 2CU e o retrato sombrio sobre o fim de uma relação que a exasperante e grandiosa My Heart Breaks II ilustra, são outros momentos altos de um álbum inspirado, emocionalmente impressivo e que materializa uma estreia muito inspirada e que coloca, desde logo, a bitola bastante alta relativamente ao futuro dos Swapmeet. Espero que aprecies a sugestão...

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