Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas três décadas, ficou no centro de um furacão mediático no universo sonoro indie e alternativo, há cerca de meio ano, quando divulgou, surpreendentemente, um alinhamento de canções intitulado Everybody’s Gotta Learn Sometime, oito temas que se dividiam entre algumas raridades que foram ficando na gaveta do artista e, essencialmente, covers de canções com que o autor se identifica particularmente.
pic by Mikai Karl
Depois disso, quase no ocaso de abril último, Beck voltou a apanhar de surpresa tudo e todos com a partilha de uma novidade intitulada Ride Lonesome, o primeiro avanço revelado de um novo registo de originais do artista californiano, com esse nome e que sucede ao álbum Hyperspace que Beck lançou no já longínquo ano de dois mil e dezanove.
Ride Lonesome contém um alinhamento de doze canções e vai ver a luz do dia a dezoito de setembro, com a chancela da Capitol Records, contando nos créditos com os músicos Smokey Hormel, Joey Waronker, Justin Meldal-Johnsen, Roger Joseph Manning Jr. e Jason Falkner, com quem Beck já tinha gravado os clássicos Sea Change, Morning Phase e Mutations. As canções ganharam vida nos estúdios United Studios em Hollywood, o local de gravações preferido do músico, com a ajuda de Nigel Godrich, responsável pela mistura das composições.
Entretanto, há quase um mês, escutámos In The Night, o terceiro tema do alinhamento de Ride Lonesome. Era um radioso instante de indie folk intimista, uma espécie de balada country cósmica que sobressaia pela luminosidade das cordas da viola, pelos entalhes ecoantes de alguns violinos e pelo exemplar registo vocal ecoante de Beck, ainda perfeitamente capaz de nos deixar num verdadeiro sobressalto.
Agora, quase no ocaso de agosto, temos para escuta mais um extraordinário avanço do alinhamento de Ride Lonesome. Trata-se de Disappearing Act, uma composição que reforça, uma vez mais, o perfil intimista e acústico do seu novo álbum, em praticamente três minutos que têm como protagonista único as cordas reluzentes de uma delicada viola, que vai-se deixando acamar por alguns entalhes percussivos quase impercetíveis, alguns violinos insinuantes e um violoncelo fugaz, mas impactante.
Como todos certamente se recordam, Beck lançou em dois mil e dois a sua obra prima Sea Change, o disco mais intimista da sua discografia, que já tinha tido uma espécie de prenúncio quatro anos antes com o fabuloso registo Mutations. Esse modus operandi eminentemente orgânico e acústico, teve sequência pouco mais de uma década depois com o álbum Morning Phase e a escuta destes avanços de Ride Lonesome fazem acreditar que este novo disco do artista californiano é uma espécie de fecho de um ciclo, ou o completar de uma trilogia. Confere...

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