Temples - BLISS

Naturais de Kettering, no Reino Unido, os Temples são uma banda de rock psicadélico formada atualmente por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Walmsley (baixista), Rens Ottink (baterista) e Adam Smith (teclista e guitarrista). Estão permanentemente no nosso radar desde dois mil e catorze, ano em que se estrearam nos discos com o aclamado registo Sun Structures, um trabalho que viu a luz do dia a onze de fevereiro desse ano, com a chancela da insuspeita Fat Possum.

pic by Jimmy Fontaine

Sun Structures foi uma estreia auspiciosa de um projeto que, disco após disco, tem aprimorado um receituário sonoro que coloca todas as fichas numa conexão feliz entre o fuzz das melhores guitarras que definem o rock alternativo contemporâneo e aquela secção rítmica vitaminada que, num jogo intuitivo e bastante burilado entre a bateria e o baixo, incorpora a melhor herança do rock psicadélico dos anos sessenta.

BLISS, o quinto álbum do projeto, o primeiro que os Temples lançam com a chancela da V2 Records, mantém a bitola bastante elevada, mas mais revigorada e com novas nuances. É isso que plasma, desde logo, o conteúdo sonoro de Jet Stream Heart, uma expetativa reforçada com a escuta de Vendetta, canção sustentada por riffs de guitarras estridentes, cruzados com efeitos sintéticos fluorescentes. Quer Jet Stream Heart, quer Vendetta, contêm um perfil eletrónico mais acentuado do que o habitual no catálogo do grupo, mostrando que, na conceção deste novo álbum dos Temples, houve uma aposta num leque mais alargado de influências e uma maior abertura para a exploração do universo do sintético, mas sem descurar a habitual camada sonora orgânica que as cordas e as baquetas sustentam.

Blue Flame, um dos grandes temas de BLISS, não renega o estilo marcante das duas composições anteriores, oferecendo-nos uns Temples mais ecoantes e intimistas, com as cordas e os teclados a criarem um ambiente de impar lisergia e epicidade. Depois, composições do calibre de Megalith, um instante sonoro abrasivo, com um inconfundível travo punk lascivo e Glimmer, o tema mais dançante do disco, repleto de cosmicidade e vibração, são outros momentos obrigatórios de um alinhamento divertido e que, num cruzamento eufórico entre rock psicadélico e eletrónica, encarna um faustoso ambiente psicadélico, dançante e anguloso. Espero que aprecies a sugestão...

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