Ulrika Spacek - EXPO

Quase três anos depois de Compact Trauma, um dos melhores discos de dois mil e vinte e três para a nossa redação, figurando num honroso décimo sétimo lugar, os britânicos Ulrika Spacek de Rhys Edwards, Rhys Williams, Joseph Stone, Syd Kemp e Callum Brown, estão de regresso ao formato longa duração com EXPO, um alinhamento de onze canções que viu a luz do dia muito recentemente, com a chancela da Full Time Hobby Recordings.

Gravado nos estúdios Total Refreshment Centre, em Londres e Stugion, em Estocolmo, na Suécia, misturado e produzido pela própria banda e masterizado por Jason Mitchell, EXPO é um hino à capacidade artística coletiva de cinco músicos ímpares, plasmando um diálogo feliz entre o orgânico e o sintético e o rock alternativo e a eletrónica, num resultado final que balança muitas vezes, e de modo quase impercetível, entre esses dois universos

Logo em Picto, ficamos esclarecidos relativamente ao modo exímio como este projeto Ulrika Spacek consegue mesclar, concetual e sonoramente, o digital e o analógico, através de um modus operandi eminentemente experimental, que não receia colocar os sintetizadores na linha da frente, mas também, fazendo-o do ponto de vista mais orgânico, utilizando cordas das mais variadas proveniências, assim como variados elementos percussivos. Depois, a cereja no topo do bolo é uma elevada destreza melódica, aliada a um ímpar sentimentalismo que exala de praticamente todas as canções, algo que o registo vocal infecioso de Rhys Edwards amplia com sagacidade.

Belo exemplo de toda esta trama é o modo como, em I Could Just Do It, o piano e alguns violinos se entrelaçam numa dança complexa que a bateria embala sem despudor. Depois, desengane-se quem acha que o clima mais etéreo e cru de Build A Box Then Break It, pausa a tonalidade sempre densa e majestosa de EXPO, porque os variados entalhes de cordas que vão planando pela melodia dessa canção, servem apenas para carimbar com ainda maior nível de impressionismo a elevada riqueza estilística do disco.

O álbum prossegue e o clima radioheadiano abrasivo, visceral e intenso de This Time I'm Present, a sagacidade ruidosa e impulsiva, mas com uma orgânica muito fluída e coesa, que está presente na guitarra que conduz Showroom Poetry, a incomensurável diversidade sónica do tema homónimo e as guitarras distorcidas, assim como as texturas eletrónicas com um curioso perfil retro, que se tornam traves mestras do esqueleto sonoro de Square Root Of None, oferecem-nos outros grandes momentos de um disco que mantém os Ulrika Spacek na órbitra da sua já habitual sonoridade punk, feita com fortes reminiscências naquela faceta sessentista ácida e psicotrópica, burilada, como sempre, com um timbre metálico de guitarra rugoso e uma bateria em contínua contradição,. No entanto, é importante ressalvar que EXPO também coloca o projeto alinhado com alguns dos cânones essenciais  do krautrock, do clássico indie rock e do jazz progressivo. Espero que aprecies a sugestão...

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