Um dos grandes momentos discográficos de dois mil e vinte e um foi Local Valley, o quarto disco do sueco José González, um cardápio de treze audazes composições, cantadas com poemas escritos em inglês, sueco e espanhol e que marcou o regresso do autor e compositor de ascendência argentina à City Slang, etiqueta com quem já tinha trabalhado no seu projeto Junip, que partilha com Tobias Winterkorn. Agora, pouco mais de quatro anos depois, José González está de regresso ao formato longa duração com Against the Dying of the Light, um alinhamento também com treze canções e que também tem a chancela da City Slang.
Tema cru, minimalista, mas extremamente luminoso e com um delicioso toque de infantilidade e simplicidade, Pajarito, um single que passou por esta redação há quase três meses, foi a primeira amostra que o sueco revelou deste seu novo álbum. Já depois, há algumas semanas atrás, escutámos Against the Dying of the Light, a canção que dá nome ao disco, um belíssimo tratado de indie folk, com um elevado cariz comunicacional, já que refletia sobre a humanidade e, de modo mais concreto, a aceitação da nossa identidade e do nosso percurso de vida até ao presente, partindo sempre do princípio que essa saga individual é inalterável.
Agora, no início de março, temos a possibilidade de escutar o terceiro avanço já retirado do alinhamento de Against the Dying of the Light. Trata-se de A Perfect Storm, uma canção que serve para o autor nos ajudar a refletir sobre o modo como estamos a criar todas as condições para que, como humanidade, deixarmos o mundo cada vez mais inseguro e imprevisível. Sonoramente, a Perfect Storm tem esse travo algo angustiante, principalmente no modo como González utiliza o dedilhar algo hipnótico de uma guitarra para embalar um registo vocal grave e ecoante, que serve na perfeição para ampliar ainda mais o cariz realista de um poema que é, no fundo, sobre a necessidade de busca de paz de espírito nestes tempos de imensa incerteza. Confere...

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