Revelado e publicado digitalmente este ano, Coldplay: Deep cuts é um interessante alinhamento sonoro que documenta um extrato do lado menos comercial e mais negligenciado dos Coldplay de Chris Martin, uma banda que começou por conquistar a sempre ávida crítica britânica há quase vinte anos com o extraordinário Parachutes e pouco depois o mundo com ma sequência de discos que agregaram uma legião cada vez mais numerosa de fãs ávidos e dedicados, mas que, na minha opinião, foram, principalmente a partir de X&Y, reduzindo a bitola qualitativa do cardápio do grupo, essencialmente porque Chris Martin foi olhando com cada vez maior gula para a pop, principalmente a que se foi fazendo do outro lado do atlântico, onde montou residência depois do casamento com a atriz norte-americana Gwineth Paltrow, entretanto terminado, mas que teve como frutos Apple e Moses. Este enlace acabou por inspirar Martin em algumas canções, sendo uma delas Moses, canção editada apenas a vivo e que serviu de single de lançamento do registo Coldplay Live 2003.

Depois do folk rock alternativo e intimista de Parachutes, foi logo a seguir, em A Rush Of The Blood To The Head, que os Coldplay inauguraram uma demanda discográfica que tinha a intenção firme de criar alinhamentos cada vez mais luminosos e festivos e que fossem melodicamente amplos e épicos, repletos de canções que celebrassem o otimismo e a alegria e que, misturando rock e eletrónica, ajudados por uma máquina de produção irrepreensível, consolidassem um virar de agulhas, que acabou por ser definitivo, ao encontro de sonoridades eminentemente pop. Neste Coldplay: Deep Cuts, temas como Miracles, canção que faz parte da banda sonora do filme Unbroken de Angelina jolie, ou Up&Up (estes dois temas também constam do alinhamento de A Head Full Of Dreams) firmam essa filosofia, mas, curiosamente, também colocam a nu aquele lado mais intimista e humano que sempre caraterizou os Coldplay. Depois, no riff de guitarra e nos samples e sintetizações empolgantes de Charlie Brown, no excelente trabalho percussivo de Cemeteries Of London, na emotividade profunda de Amsterdam, um dos momentos altos da carreira do grupo e talvez dos mais negligenciados e, principalmente, no festim auditivo que nos proporciona Lovers In Japan – Reign Of Love, o grupo britânico toca nos dois opostos da temporais da sua carreira enquanto despe algumas máscaras e justifica porque detém o título máximo de banda de massas da pop e da cultura musical dos dias de hoje, sucedendo isso porque também soube ir adaptando-se com sucesso aos cânones essenciais dos estilos sonoros que quis abarcar nas duas décadas que já leva de existência. Espero que aprecies a sugestão...

01. Charlie Brown
02. Rainy Day
03. Til Kingdom Come
04 .Lovers In Japan – Reign Of Love
05. Crests Of Waves
06. Up&Up
07. Fix You (Live)
08. Homecoming (Feat. Chris Martin)
09. Amsterdam
10. Christmas Lights
11. Miracles
12. Moses (Live In Sydney)
13. Cemeteries Of London
14. Green Eyes
15. Brothers And Sisters
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