Eric, Christian e Andreas são os The Orange Revival, uma banda sueca de indie rock psicadélico, que causou furor em 2011 com Black Smoke Rising, um trabalho que os colocou debaixo dos holofotes mais atentos e que já tem finalmente sucessor. Lançado por inteemédio da Fuzz Club Records, Futurecent é o novo álbum destes The Orange Revival, sete canções que não envergonham a herança sonora que os anos sessenta do século passado nos deixaram, feita com uma elevada dose de hipnotismo, apimentada com uma percussão vibrante, riffs de guitarra abrasivos e cheios de fuzz e teclados plenos de efeitos com elevado teor lisérgico.

Escuta-se Saturation, o tema que abre o alinhamento de Futurecent e percebe-se desde logo o modo como este espetacular tratado sonoro aditivo, rugoso e viciante, nos leva rumo a uma pop psicadélica muito caraterística e que nos é particularmente familiar, não só devido ao solo e ao riff da guitarra, que exibe linhas e timbres muito peculiares, mas também devido ao modo como os restantes instrumentos se vão agregando em seu redor, num saudável experimentalismo que não inibindo os The Orange Revival de serem concisos e diretos no modo como se apresentam, mostra novos atributos e elevada competência relativamente aos procedimentos de separação dos diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância não só a esta mas, como se percebe depois, às restantes canções do disco. Na verdade, a distorção do teclado de Lying In The Sand e a linha de guitarra que o acompanha e a luminosidade das cordas que orientam a planante Setting Sun, são apenas mais dois exemplos da obediência à herança e ao traço contido nos genes deste trio, mas também marcas impressivas de um posicionamento melódico ímpar e que busca a criação de canções que causem um elevado efeito soporífero, mas que sejam também acessíveis e do agrado de um público particularmente abrangente. Carolyn é o exemplo maior deste passo em frente relativamente à estreia, uma catarse psicadélica com mais de sete minutos, assente numa linha de guitarra distorcida inspirada, teclas efusivas e alguns detalhes percussivos que nos fazem dançar em altos e baixos divagantes e que formam uma química interessante entre o orgânico e o sintético, uma canção onde os The Orange Revival apostam todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, que nos oferece um verdadeiro compêndio de acid rock, despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.
Futurecent eleva os seus autores para um patamar superior de qualidade e de inedetismo quando se compara este trabalho com tudo o que apresentaram antes. Proposto por um trio sueco que parece viver numa espécie de hipnose e que se serve desse estado de alma simultaneamente profundo e juvenil para incubar uma viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose, este é um disco que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado space rock, abraça várias vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade criativa, confiante e luminosa que está impressa no adn destes The Orange Revival. Espero que aprecies a sugestão...

01. Saturation
02. Lying In The Sand
03. Speed
04. Setting Sun
05. Carolyn
06. 1999
07. All I Need
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