Os The Moth & The Flame de Brandon Robbins, Mark Garbett, Michael Goldman e Andrew Tolman são uma das melhores descobertas musicais que fiz nos últimos anos, um grupo que me ficou sempre na retina assim que tive a oportunidade de escutar o disco homónimo de estreia deste grupo norte americano natural de Provo, no Utah e atualmente sedeado em Los Angeles, na Califórnia. Esse é um dos álbuns que mais saiu da estante cá de casa nos últimos anos e que até deu origem a um dos takes do blogue na Everything Is New TV. Os The Moth And The Flame lançaram esse disco homónimo de estreia a 11.11.11. e já se encontram em estúdio a preparar o sucessor, juntamente com o produtor Peter Katis (Interpol, The National), Tony Hoffer (M83, Beck) e Nate Pyfer (Parlor Hawk, Fictionist).

Em maio deste ano viu a luz do dia Young & Unafraid, o primeiro single deste que será o segundo registo de originais e que, entretanto, deu origem a um EP com mais quatro canções, editado em setembro último e cujo conteúdo nos oferece algumas luzes sobre o conteúdo sonoro do sucessor de The Moth And The Flame, que verá a luz do dia através da Elektra Records. Já agora, recordo que há dois anos, em 2013, a banda tinha lançado um outro Ep intitulado simplesmente &, um conjunto de canções editado pela Hidden Records e produzido por Joey Waronker (Beck, Atoms For Peace, R.E.M.).
Neste EP Young and Unafraid mantém-se, felizmente, a sonoridade pop atmosférica da estreia, com canções que envolvem o ouvinte em ambientes etéreos, mas com uma sonoridade mais direta e rugosa e com o indie rock a ser elemento ativo de um arquétipo com instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande para nos arrastar sem dó nem piedade para um ambiente sombrio e nostálgico, com caraterísticas muito próprias. Há, assim, canções extremamente simples e que prezam pelo minimalismo da combinação de apenas quatro instrumentos, enquanto outras soam mais ricas e trabalhadas, que nos fazem descolar um pouco mais de uma zona de conforto sonora e arriscam ambientes épicos e com uma instrumentalização ainda mais diversificada.
Seja qual for a fórmula aplicada, os The Moth And The Flame pegam firmemente no seu som e usam-no como se fosse um pincel para criar obras sonoras carregadas de pequenos mas preciosos detalhes intrigantes, interessantes e exuberantes. Muitas vezes um simples detalhe fornecido por uma corda, uma tecla ou uma batida aguda dão logo uma cor imensa às canções e a própria voz, que recorda imenso o Beck Hansen do período Sea Changes, serve, frequentemente, para transmitir essa ideia de exuberância e sentimento.
Neste tempo em que abundam os downloads rápidos e as embalagens descartáveis é reconfortante ver uma banda tão interessada e orgulhosa da forma como apresenta a sua música, ainda mais quando o essencial (a música) é bastante recomendável! Uma bonita surpresa que regressa novamente e que espero que aprecies devidamente…

01. Live While I Breathe
02. Run Anyway
03. Young And Unafraid
04. 10 Years Alone
05. Wishing Well
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