Coldplay - A Head Full Of Dreams

Os Coldplay de Chris Martin estão de regresso aos discos com A Head Full Of Dreams, um álbum que, como sempre, viu a luz do dia por intermédio da Parlophone. O sétimo álbum de estúdio desta banda britânica foi produzido pela dupla norueguesa Stargate e nos seus créditos extensos pode-se conferir convidados especiais do calibre da norte americana Beyoncé, mas também Noel Gallagher, Tove Lo e Merry Clayton.



Disco com direito a uma digressão mundial e que poderá muito bem vir a ser o último da carreira do grupo de Chris Martin, A Head Full Of Dreams é substancialmente diferente do antecessor, Ghost Stories, um trabalho mais denso e intimista e que se debruçava imenso sobre a separação de Martin e a atriz Gwynet Paltrow, com quem o músico lider da banda esteve casado vários anos. Logo no tema homónimo fica impressa esta intenção firme de criar um alinhamento mais luminoso e festivo, mas também melodicamente mais amplo e épico, com canções que celebrem o otimismo e a alegria e que possam funcionar ao vivo na próxima digressão dos Coldplay. Aliás, Adventure Of A Lifetime, o primeiro single retirado de A Head Full Of Dreams, foi uma escolha óbvia como tema de apresentação do disco, já que é o expoente máximo desta ode celebratória, assente num riff de guitarra empolgante e numa sonoridade rock expansiva e que faz jus a alguns dos melhores instantes da carreira da banda. E, mantendo-se em Hymn For The Weekend essa amplitude otimista, há, no entanto, na génese dessa canção, o início de um virar de agulhas que me parece ser definitivo, indo ao encontro de uma sonoridade pop, com fortes raízes no R&B e que, na verdade, os Coldplay já exploram com alguma minúcia desde Mylo Xyloto. Nesse dueto entre Martin e Beyoncé, o grupo britânico despe definitivamente todas as máscaras que ainda o poderiam ligar ao indie rock, para se assumir, já sem possibilidade de retorno, como uma banda que não quer mais ser objeto de culto de um nicho de ouvintes que os veneraram à custa de Parachutes e A Rush Of Blood To The Head, mas antes detentores do título máxmo de banda de massas da pop e da cultura musical dos dias de hje. Já agora, curiosamente, um último grande suspiro da anterior herança identitária e que definiu as origens dos Coldplay, pode ser escutada em Up&Up, canção que apesar de contar com alguns detalhes eletrónicos, deve grande parte da sua alma à guitarra de Noel Gallagher e à soul proporcionada não só pela voz crua de Martin, mas também por coros que engrandecem e ampliam a intensidade da canção para um patamar incomum.


As batidas eletrónicas da balada Army Of Me, a açucarada Fun, canção que conta com a voz da sueca Tove Lo, entrelaçada com a de Martin, são mais dois exemplos concretos deste frontal casamento dos Coldplay com o R&B mais contemporâneo, mas o piano lindíssimo de Everglow, quanto a mim o melhor momento melódico do álbum e que conta com a voz de Paltrow nos coros e a sua presença na escrita do poema, o groove da guitarra e do baixo e, principalmente, os sussurros de Martin em Birds, são também exemplos impressivos deste novo paradigma sonoro dos Coldplay, composições que contam com uma produção polida com o máximo de brilho que a tecnologia dos dias de hoje permite e que até é ampliada em dois temas que funcionam como interludios, Kaleidoscope e Colour Spectrum. Nesta última é particlarmente impressivo o contraste entre os sons de pássaros e sinos, com as vozes de fundo de Beyoncé e Barack Obama, num discurso que é também possível ser escutado na primeira canção.


Em suma, A Head Full Of Dreams contém o habitual cariz pop, épico e melancólico dos Coldplay e não deixa de ter como grande atributo possuir canções que falam de sentimentos reais e geralmente felizes e que, por isso, pretendem colocar enormes sorrisos no nosso rosto durante a audição. Mas para quem, como eu, não se sentiu nunca particulamrente confortável e preenchido com as mais recentes obsessões sonoras e conceptuais deste quarteto britânico, este acaba por ser o trabalho que deita por terra, definitivamente, todas as expetativas que ainda poderiam subsistir sobre a possibilidade de um retorno às origens. Por muito que se possam esforçar por referir publicamente o contrário, a verdade é que os Coldplay querem ser uma banda de massas, mas não à custa do indie rock. O trono que pretendem ocupar é o de reis da pop, entrando num mano a mano com os nomes maiores da cultura musical popular que vivem da eletrónica ao R&B, levando as cordas do baixo e das guitarras consigo, mas adaptando-as aos cânones essenciais desses estilos sonoros. Espero que aprecies a sugestão... 


Coldplay - A Head Full Of Dreams


01. A Head Full Of Dreams
02. Bird
03. Hymn For The Weekend
04. Everglow
05. Adventure Of A Lifetime
06. Fun (Feat. Tove Lo)
07. Kaleidoscope
08. Army Of One
09. Amazing Day
10. Colour Spectrum
11. Up&Up
12. Miracles


 



 

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